Uma barreira inusitada trava a reta final de uma das obras mais esperadas pela comunidade, em especial dos municípios de Colinas e Roca Sales. Três postes de energia no meio da pista da ERS-129 contrastam com as máquinas e equipes que trabalham na obra.
O assunto ganha repercussão pela imagem: o asfalto chega, a pista toma forma, mas os postes permanecem no caminho. Ainda assim, o asfaltamento avança. Conforme o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), alcança 80% de execução e atende a uma demanda esperada há décadas.
Essa situação ocorre em uma rodovia que ganhou relevância depois da tragédia de maio de 2024, quando caiu a ponte sobre o Rio Forqueta, entre Arroio do Meio e Lajeado. Com acessos tradicionais bloqueados, a ERS-129 virou rota alternativa entre as regiões alta e baixa do Vale.
Embora o contrato tenha vigência até março de 2027, a previsão atual é de que os serviços sejam concluídos até o fim de 2026, em razão do ritmo de execução.
A obra é financiada com R$ 55,9 milhões do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). O contrato contempla cerca de 6,1 quilômetros de pavimentação entre Roca Sales e Colinas, no trecho conhecido como Fazenda Lohmann, e 21 quilômetros de novo asfalto entre Colinas e Estrela, passando por São José e Costão. A execução é da Traçado Engenharia.
“Não vai travar por causa disso”
A presença dos postes no meio da pista envolve estruturas instaladas pela RGE antes do avanço da pavimentação. Conforme o prefeito de Roca Sales, Jones Wünsch, o Mazinho, o reforço da rede elétrica foi importante para o município, em especial após as enchentes, quando a cidade ficou quase um mês sem luz.
“Esse reforço de rede chega até a subestação na entrada de Roca Sales. No caso de dar algum problema, essa subestação alimenta outros municípios e também recebe energia de outros municípios. Foi um investimento importante”, afirma.
O problema, segundo o prefeito, ocorreu porque a rede teria seguido um traçado antigo da ERS-129. Com o projeto atual, parte da rede acabou dentro da área de pista. Em um primeiro levantamento, seriam 60 postes para serem removidos. Com readequações no projeto da rodovia, o número caiu para três.
“No primeiro projeto, os postes a serem removidos passavam da marca de 60. Justamente esse foi um dos motivos do atraso do início da obra. Depois, quando recebi a informação de que só teriam três postes, comemorei bastante”, relembra Mazinho.
Por se tratar de obra do Estado, o município está impedido de investir na retirada dos postes. Segundo ele, a situação envolve a construtora e a concessionária de energia.
A remoção teria o custo estimado em R$ 10 mil por unidade. “O município em si não tem o que fazer. A gente não tem legalidade para ir lá e pagar a remoção dos postes. São duas empresas que negociam entre si. Tenho certeza, não vai travar por causa disso”, realça.
- Origem
A RGE fez reforço da rede elétrica antes do avanço da pavimentação. Segundo o prefeito Jones Wünsch, o traçado usado pela concessionária era antigo.
- Primeiro cálculo
Mais de 60 postes poderiam precisar de remoção.
- Situação atual
Com a readequação do projeto da rodovia, restam três postes a serem deslocados.
- Custo estimado
Entre R$ 10 mil e R$ 12 mil por poste.
- Prazo
A RGE informa prazo de até 120 dias após definição sobre a forma de execução.
- Efeito no cronograma
Daer e prefeitura afirmam que a pendência não compromete a entrega da obra.
