Três postes impedem conclusão da ERS-129

Ligação regional

Três postes impedem conclusão da ERS-129

Obra de R$ 55,9 milhões supera 80% de execução. Obstáculos da rede elétrica seguem no meio da pista em cerca de 1,5 km e serviço de remoção pode levar até 120 dias

Três postes impedem conclusão da ERS-129
Foto: Felipe Neitzke
Roca Sales

Uma barreira inusitada trava a reta final de uma das obras mais esperadas pela comunidade, em especial dos municípios de Colinas e Roca Sales. Três postes de energia no meio da pista da ERS-129 contrastam com as máquinas e equipes que trabalham na obra.

O assunto ganha repercussão pela imagem: o asfalto chega, a pista toma forma, mas os postes permanecem no caminho. Ainda assim, o asfaltamento avança. Conforme o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), alcança 80% de execução e atende a uma demanda esperada há décadas.

Essa situação ocorre em uma rodovia que ganhou relevância depois da tragédia de maio de 2024, quando caiu a ponte sobre o Rio Forqueta, entre Arroio do Meio e Lajeado. Com acessos tradicionais bloqueados, a ERS-129 virou rota alternativa entre as regiões alta e baixa do Vale.

Embora o contrato tenha vigência até março de 2027, a previsão atual é de que os serviços sejam concluídos até o fim de 2026, em razão do ritmo de execução.

A obra é financiada com R$ 55,9 milhões do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). O contrato contempla cerca de 6,1 quilômetros de pavimentação entre Roca Sales e Colinas, no trecho conhecido como Fazenda Lohmann, e 21 quilômetros de novo asfalto entre Colinas e Estrela, passando por São José e Costão. A execução é da Traçado Engenharia.

“Não vai travar por causa disso”

A presença dos postes no meio da pista envolve estruturas instaladas pela RGE antes do avanço da pavimentação. Conforme o prefeito de Roca Sales, Jones Wünsch, o Mazinho, o reforço da rede elétrica foi importante para o município, em especial após as enchentes, quando a cidade ficou quase um mês sem luz.

“Esse reforço de rede chega até a subestação na entrada de Roca Sales. No caso de dar algum problema, essa subestação alimenta outros municípios e também recebe energia de outros municípios. Foi um investimento importante”, afirma.

O problema, segundo o prefeito, ocorreu porque a rede teria seguido um traçado antigo da ERS-129. Com o projeto atual, parte da rede acabou dentro da área de pista. Em um primeiro levantamento, seriam 60 postes para serem removidos. Com readequações no projeto da rodovia, o número caiu para três.

“No primeiro projeto, os postes a serem removidos passavam da marca de 60. Justamente esse foi um dos motivos do atraso do início da obra. Depois, quando recebi a informação de que só teriam três postes, comemorei bastante”, relembra Mazinho.

Por se tratar de obra do Estado, o município está impedido de investir na retirada dos postes. Segundo ele, a situação envolve a construtora e a concessionária de energia.

A remoção teria o custo estimado em R$ 10 mil por unidade. “O município em si não tem o que fazer. A gente não tem legalidade para ir lá e pagar a remoção dos postes. São duas empresas que negociam entre si. Tenho certeza, não vai travar por causa disso”, realça.

  • Origem

A RGE fez reforço da rede elétrica antes do avanço da pavimentação. Segundo o prefeito Jones Wünsch, o traçado usado pela concessionária era antigo.

  • Primeiro cálculo

Mais de 60 postes poderiam precisar de remoção.

  • Situação atual

Com a readequação do projeto da rodovia, restam três postes a serem deslocados.

  • Custo estimado

Entre R$ 10 mil e R$ 12 mil por poste.

  • Prazo

A RGE informa prazo de até 120 dias após definição sobre a forma de execução.

  • Efeito no cronograma

Daer e prefeitura afirmam que a pendência não compromete a entrega da obra.

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