“Para problemas complexos não existem soluções simples”

Agenda regional

“Para problemas complexos não existem soluções simples”

Presidente do Codevat e vice-reitora da Univates defende prevenção permanente nos municípios e reforça mobilização para a Consulta Popular

“Para problemas complexos não existem soluções simples”
Economista Cintia Agostini, presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat) e vice-reitora da Univates (Foto: Amanda Cabral)

A economista Cintia Agostini, presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat) e vice-reitora da Univates, defende que a região avance em uma agenda permanente de planejamento, prevenção e cobrança por obras estruturantes.

Em entrevista ao programa Frente e Verso, da Rádio A Hora, nesta quarta-feira, 15, ela abordou o cenário econômico, os planos diretores dos municípios, os impasses da BR-386, o plano de concessões do Estado e a Consulta Popular.

Um dos pontos centrais foi a necessidade de integrar planos diretores, planos de contingência e demais instrumentos de planejamento municipal. Para Cintia, as cidades precisam construir uma cultura permanente de prevenção, com capacitação técnica, participação comunitária e decisões alinhadas ao novo cenário climático.

“Para problemas complexos não existem soluções simples. A gente vive uma condição muito complexa, então tem que ter soluções complexas e todo mundo engajado”, afirma.

Na avaliação dela, o Vale precisa qualificar profissionais, aproximar a comunidade dos planos de prevenção e tratar a Defesa Civil como estrutura técnica e permanente. O desafio, segundo Cintia, passa por criar uma cultura regional voltada à antecipação de riscos, semelhante ao que cidades com histórico de cheias já fazem há mais tempo.

Impasse com a ANTT

Cintia também comentou o impasse entre a Motiva, atual grupo controlador da CCR ViaSul, e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre as obras da BR-386. Segundo ela, a região segue sem respostas concretas sobre a revisão contratual, a recomposição dos prejuízos das enchentes e as obras prioritárias.

“O problema é que a gente não tem respostas. Não tem nada de concreto para além daquilo que o próprio presidente da Motiva disse em entrevista”, afirma.

Conforme Cintia, a concessionária alega que não tem condições de cumprir o contrato nas condições atuais, devido aos prejuízos provocados pelas enchentes. A discussão envolve obras como a área de escape na Serra de Pouso Novo, intervenções em Marques de Souza, Fontoura Xavier e duplicações previstas ou cobradas pela região.

“A nossa discussão é uma discussão de prioridade. Estamos falando de segurança, mobilidade e logística”, destaca.

A Motiva projeta prejuízo de cerca de R$ 300 milhões com os eventos climáticos. Parte desse valor teria sido coberta por seguro, em torno de R$ 80 milhões. O restante segue como ponto de impasse. Cintia alerta que, pelo contrato, custos desse tipo tendem a impactar a tarifa, embora exista debate por se tratar de evento extremo.

Entidades regionais já se reuniram com o presidente da Motiva e aguardam a apresentação de um planejamento pela concessionária. Também foi solicitada audiência com a ANTT e com o Ministério dos Transportes. A intenção é levar o tema à agência reguladora e ao governo federal, com participação dos prefeitos.

Concessões estaduais

Outro tema abordado foi o plano de concessões do governo do Estado. Segundo ela, a região entregou documento ao Piratini com defesa de aplicação de recursos nas rodovias do Vale, em especial na duplicação do trecho entre Venâncio Aires e Encantado.

A reivindicação busca garantir que a futura modelagem considere as necessidades regionais de mobilidade, segurança e desenvolvimento econômico. Para o Codevat, obras estruturantes precisam estar conectadas à recuperação pós-enchentes, à competitividade das empresas e à integração entre municípios.

Consulta Popular

Cintia também reforçou a importância da mobilização regional para a Consulta Popular. A votação ocorre de 20 a 26 de julho e define prioridades financiadas com recursos do governo do Estado.

Para o Codevat, a participação da comunidade é decisiva para fortalecer projetos regionais e garantir recursos para áreas consideradas estratégicas. A entidade atua na articulação das demandas e na mobilização dos municípios para ampliar o número de votos.

Detalhes

  • Planejamento integrado
    Planos diretores, planos de contingência e ações municipais precisam conversar entre si.
  • Prevenção
    A região deve criar cultura permanente de preparação para eventos extremos.
  • BR-386
    Entidades querem respostas da ANTT, da Motiva e do governo federal sobre obras e revisão contratual.
  • Concessões estaduais
    Codevat defende recursos em rodovias regionais, com destaque à duplicação entre Venâncio Aires e Encantado.
  • Consulta Popular
    Votação de 20 a 26 de julho deve mobilizar municípios para garantir recursos a projetos regionais.

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