O acesso à cultura, por vezes, é tratado como um luxo. Ou até como um hábito supérfluo e reservado para quando sobra dinheiro, tempo ou disposição. Mas basta observar o cotidiano para perceber que ela ocupa outro lugar. Na música, na festa da comunidade, no teatro da escola, na feira do livro, no cinema ou em espetáculo ao ar livre. E os números mostram que a população sabe disso.
A mais recente pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Datafolha, revela que 97% dos brasileiros tiveram contato com alguma atividade cultural no último ano. Desse total, 84% participaram de atividades presenciais e 90% consumiram cultura em plataformas digitais. Não se trata de um hábito isolado, mas de uma prática incorporada ao cotidiano.
O dado mais importante, porém, não é a frequência. É a motivação. Entre os entrevistados, a maioria afirma buscar atividades culturais para relaxar e reduzir o estresse. Outros querem conhecer novos lugares ou procuram adquirir conhecimento. A cultura deixa de ser apenas entretenimento e passa a ocupar espaço na formação intelectual e no equilíbrio emocional. Esses números ajudam a explicar algo que qualquer pessoa que consuma atividades culturais já experimentou: a cultura amplia repertório.
Desenvolve criatividade, senso crítico e capacidade de interpretar diferentes realidades. Em tempos marcados pela velocidade da informação, essas habilidades deixam de ser diferenciais. Se tornam necessidades.
A pesquisa também revela um dado que merece atenção. Entre quem teve contato com atividades na infância, 94% participaram de alguma atividade cultural no último ano. Entre aqueles que não tiveram essa experiência, o índice cai para 77%. O acesso à cultura, portanto, não influencia apenas o presente. Ela molda hábitos que permanecem ao longo da vida.
Ainda assim, o acesso não ocorre em igualdade de condições. O principal obstáculo apontado pelos brasileiros é financeiro. Esse talvez seja o maior equívoco. Enxergar cultura apenas como gasto impede perceber o retorno que ela oferece. Investir significa criar oportunidades para que mais pessoas desenvolvam habilidades e encontrem espaços em uma rotina cada vez mais acelerada.
No Vale do Taquari, esse debate ganha dimensão ainda maior. Após período marcado por reconstrução, a cultura voltou a ocupar praças, clubes, escolas e ruas. Festivais, feiras do livro, apresentações e iniciativas comunitárias passaram a reunir novamente moradores e visitantes. Quando uma região investe em cultura, investe também na capacidade de olhar para o futuro sem perder a memória do caminho percorrido.
Mais viagens ao Velho Continente
As passagens dos Grupos Folclóricos de Estrela pela Europa já ultrapassa o caráter de intercâmbio cultural. A preparação para mais duas viagens ao Velho Continente foram iniciadas pela comissão. A oitava turnê, em setembro de 2027, terá passagem pela Alemanha, Áustria e Itália. Já a nona turma, viaja em 2028 e visita Alemanha, Áustria e República Tcheca. Esse movimento reforça um trabalho de décadas na preservação da cultura de imigração alemã. O reconhecimento internacional confirma que a tradição preservada pelos mais 500 dançarinos ajuda a manter as manifestações vivas.

Potenciais unidos
Lajeado acerta ao integrar potenciais iniciativas para fortalecer a cultura e o turismo. A expansão da Semana do Rock demonstra a relevância desse movimento. A programação deixa de se concentrar em um único palco e passa a ocupar bairros, bares e espaços públicos, enquanto a gastronomia amplia a experiência do público. Ao conectar diferentes setores em torno de um mesmo evento, o município fortalece a circulação de pessoas, incentiva o comércio local e cria uma agenda capaz de consolidar o calendário cultural.