O antigo prédio da Polícia Civil, na rua João Batista de Mello, permanece sob propriedade do governo do Estado e ainda não tem uma destinação definida. A negociação para transferir a área ao município não foi concluída. Depois da inundação de 2024, o imóvel foi abandonado.
Na tarde de ontem, a delegada regional da Polícia Civil, Shana Luft Hartz participou de reuniões em Porto Alegre para tratar do tema. De acordo com ela, há duas perspectivas: uma medida paliativa, e a outra a transferência para o governo de Lajeado.
“Não sei se é venda, permuta ou exatamente qual é o processo. Sei que existe uma negociação para passar o imóvel do Estado para o município, mas ela avança de forma mais lenta do que gostaríamos”, admite.
A administração de Lajeado informa que o convênio previsto para permitir a aquisição do prédio não se concretizou. A negociação tinha como referência a Lei Municipal nº 11.596, de 26 de julho de 2023, mas parou após as enchentes e a alteração no valor da propriedade.
Segundo o município, também não há registro, até o momento, de uma lei estadual autorizando a transferência da área. Esse procedimento seria necessário para confirmar a negociação.
Enquanto a definição sobre a propriedade não ocorre, a Polícia Civil articula uma intervenção emergencial no prédio. A proposta inclui a retirada de materiais e entulhos, limpeza da área e novo fechamento dos acessos para dificultar invasões.
A medida também considera a presença de água acumulada dentro do imóvel, situação que, segundo a delegada, pode representar um problema de saúde pública. “Neste primeiro momento, buscamos reduzir o risco. Queremos limpar, retirar o que está lá dentro e fechar o prédio para evitar invasões.”
O imóvel está abandonado desde a inundação de 2024. Também foi atingido por um incêndio e teve portas, janelas e demais pontos de acesso danificados. Shana afirma que a Polícia Civil tenta agilizar a transferência, mas ainda não há prazo para concluir a negociação nem confirmação sobre qual será o uso futuro da área.

Imóvel está abandonado desde a inundação histórica de 2024 (Foto: Gabriel Santos)
Denúncias motivam providências
A movimentação ocorre depois de moradores de um condomínio próximo registrarem na quarta-feira, 1º de julho, um boletim de ocorrência. Eles relatam ameaças, depredações e a presença frequente de pessoas no prédio desativado.
No registro, os moradores também apontam suspeitas de tráfico de drogas, prostituição e uso do imóvel como abrigo. Segundo Shana, a condição de abandono do prédio era conhecida. “Mas essa questão de pessoas frequentando o local e gerando insegurança ainda não tinha sido trazida à polícia. A partir do registro, estamos tomando providências para resolver ou ao menos minimizar o problema.”
A Polícia Civil pretende reforçar o controle sobre o imóvel enquanto Estado e município discutem a transferência. A destinação definitiva permanece sem prazo, modelo ou finalidade confirmados.
