O futebol amador adora procurar culpados. Quando o público é pequeno, a renda decepciona e o movimento na copa e na cozinha não corresponde à expectativa, a explicação costuma ser a mesma: “o torcedor não valoriza mais o esporte”, “os tempos mudaram” e “também, com transmissão em vídeo, pessoal prefere olhar de casa”. É sempre mais fácil apontar o dedo para os outros do que admitir erros de planejamento.
Neste domingo, o Brasil entra em campo às 17h. Mesmo assim, as finais do Campeonato Intermunicipal e do municipal de Estrela foram mantidas para o mesmo dia. Os jogos principais começam às 15h, mas qualquer frequentador de futebol amador sabe que horário previsto e horário real raramente são a mesma coisa. Entre atrasos e paralisações, basta fazer uma conta simples para perceber que a decisão vai concorrer diretamente com a Seleção.
Não adianta dizer que hoje existe celular, YouTube ou televisão na palma da mão. Quem vai até a praça de esportes quer assistir ao jogo, conversar com os amigos, consumir na copa e viver o ambiente do local. Quando o Brasil entra em campo, a atenção muda. Alguns vão embora antes do apito final, outros sequer saem de casa. E quem perde é o clube que esperava justamente a final para fazer caixa.
O mais curioso é que, depois, a culpa será da imprensa. Como se manchetes e reportagens de divulgação fossem capazes de vencer um jogo da Seleção Brasileira. Não são. O problema não é divulgação. É calendário. É organização. É bom senso.
E há um detalhe ainda mais difícil de entender: em alguns casos, o próprio clube mandante aceitou essa situação. Havia alternativas mais inteligentes. Poderia haver um jogo pela manhã, almoço ao meio-dia para movimentar a comunidade e gerar renda, e a segunda decisão logo no início da tarde, encerrando a programação com tranquilidade antes do jogo do Brasil. O clube locatário faturaria mais com ingressos, copa e cozinha, o público aproveitaria os dois eventos e ninguém precisaria disputar atenção com a Seleção. Só que para isso acontecer deveria haver unanimidade e em Estrela não houve.
No fim, o futebol amador cria um problema que poderia ser evitado e depois procura um culpado para o prejuízo. Antes de cobrar mais apoio, talvez seja a hora de exigir mais planejamento de quem organiza as competições. Afinal, perder para a Seleção Brasileira é normal. O que não é normal é entrar em campo sabendo que a derrota fora das quatro linhas já estava marcada no calendário.
Uma parceria que forma cidadãos
Há iniciativas que vão muito além de uma simples visita. Levar crianças para conhecer o estádio do Guarani, conversar com atletas, dirigentes e profissionais do futebol é um exemplo de como escola e esporte podem caminhar na mesma direção: a da formação de cidadãos.
O projeto desenvolvido pela Emei Dom Pedro II mostra que o futebol pode ser um excelente instrumento pedagógico. A paixão despertada pela Copa do Mundo foi transformada em leitura, pesquisa, matemática, interpretação de texto e curiosidade. O resultado é aquele que todo educador busca: alunos motivados para aprender.
Mas o ganho não é apenas da escola. O Guarani também acerta ao abrir seus portões. Em tempos em que muitos clubes reclamam da falta de público e do distanciamento das novas gerações, aproximar as crianças da instituição é investir no futuro. Entre esses estudantes podem estar futuros atletas, sócios, torcedores, voluntários ou simplesmente cidadãos que passarão a valorizar o patrimônio esportivo da cidade.
Essa relação precisa ser mais frequente. Clubes esportivos não devem ser vistos apenas como locais de competição, mas também como espaços de convivência, aprendizado e integração comunitária. Da mesma forma, a escola não precisa limitar o conhecimento às quatro paredes da sala de aula.
Que a iniciativa sirva de inspiração para outras agremiações da região. Receber escolas, contar a própria história, mostrar os bastidores do esporte e promover encontros com atletas são ações de baixo custo e de enorme impacto social.
