Muito além de um campeonato

Opinião

Ezequiel Neitzke

Ezequiel Neitzke

Jornalista

Coluna esportiva

Muito além de um campeonato

Quando a bola rolar para a Copa Certel/Sicredi 2026, em 26 de julho, estarão em campo 19 clubes. Mas reduzir a competição a números, regulamentos e tabelas seria ignorar sua verdadeira importância.

A Copa da Aslivata é um dos raros espaços onde o futebol ainda consegue preservar sua essência. Em um período em que o esporte profissional se torna cada vez mais um produto global, repleto de cifras, empresários e interesses comerciais, os gramados do Vale do Taquari seguem contando histórias de pertencimento.

Ali, o lateral pode ser agricultor durante a semana. O centroavante pode trabalhar no comércio da cidade. O dirigente que organiza a escala dos maqueiros muitas vezes é o mesmo que vende rifas para ajudar a pagar as despesas do clube. O futebol amador continua sendo construído por pessoas que enxergam nele algo maior do que resultados.

A presença de 19 equipes nesta edição é um sinal claro de vitalidade. Em vez de encolher, a competição cresce. Em vez de perder relevância, atrai novos participantes e mobiliza comunidades inteiras. Em tempos em que muitas entidades esportivas lutam para sobreviver, esse movimento merece ser celebrado.

As discussões realizadas no congresso técnico também revelam um campeonato que busca evolução. O debate sobre a utilização de jovens atletas, a organização das comissões técnicas, a profissionalização dos procedimentos e até a adoção de numeração fixa mostram uma preocupação em tornar a competição mais qualificada e organizada.

Mas o maior patrimônio da Copa Certel/Sicredi não está no regulamento.

Está nas arquibancadas improvisadas. Nos churrascos antes das partidas. Nos encontros entre famílias. Nos torcedores que acompanham o clube da sua localidade há décadas. Está no orgulho de vestir uma camisa que representa não apenas uma equipe, mas uma comunidade inteira.

O Vale do Taquari tem na força do associativismo uma de suas principais características. A Copa da Aslivata é um reflexo disso. Ela conecta cidades, movimenta economias locais, fortalece vínculos e mantém viva uma tradição que atravessa gerações.

Quando o árbitro apitar o início da competição, começará a disputa por um título. Mas, indiferente de quem levante a taça no fim da temporada, o verdadeiro vencedor já está definido, é o futebol comunitário, que insiste em mostrar que ainda existe espaço para paixão, identidade e pertencimento no esporte.

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