SUS adota novo exame para rastrear câncer colorretal

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SUS adota novo exame para rastrear câncer colorretal

Teste Imunoquímico Fecal (FIT) permitirá identificar precocemente a doença em pessoas assintomáticas de 50 a 75 anos, com foco na redução da mortalidade pelo câncer, que é o segundo tipo mais comum no país

SUS adota novo exame para rastrear câncer colorretal

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou um protocolo inédito para o rastreamento e a detecção precoce do câncer colorretal, nesta quinta-feira, 21, em Lyon, na França. A partir do segundo semestre deste ano, o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) passa a ser o exame de referência para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos, ampliando o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção e ao diagnóstico oportuno.

Em um movimento anunciado durante o Maio Roxo, campanha voltada à conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais, como a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, a iniciativa reforça a estratégia do governo federal no âmbito do programa Agora Tem Especialistas, que busca estruturar a maior rede pública do país para prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer.

“Estamos anunciando a primeira política de rastreamento do câncer colorretal no nosso sistema. Baseados na pesquisa e na evidência, começaremos uma estratégia de detecção baseada na atenção primária, com exame fecal e apoio de centros especializados em imagem e colonoscopia, se necessário”, destaca o ministro.

Teste Imunológico Fecal

O FIT geralmente é feito com fitas rápidas, semelhante a um teste de gravidez. O método detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem ser sinal de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino. O exame vai ser usado como triagem para definir quais pacientes vão precisar de colonoscopia, que confirma o diagnóstico com precisão.

A testagem dispensa restrições alimentares prévias e pode ser feita a partir de uma única amostra, detectando até 92% de câncer colorretal. Entre as vantagens estão resultado rápido, custo mais barato, praticidade e simplicidade em realizar, pois não exige equipamentos automatizados complexos, além de maior desempenho no rastreamento.

Segundo maior em incidência

O câncer de intestino é o segundo tipo mais incidente no Brasil, desconsiderando os casos de pele não melanoma. A estimativa é de 53,8 mil novos diagnósticos por ano no país durante o triênio 2026-2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Em relação à mortalidade, a doença provocou quase 24 mil mortes no Brasil em 2023, o equivalente a uma taxa de 11,3 óbitos por 100 mil habitantes.

Nos estágios iniciais, o tumor pode se desenvolver de forma silenciosa ou apresentar sintomas pouco específicos, como alterações persistentes no funcionamento do intestino, desconforto abdominal, sensação de evacuação incompleta e fadiga. Em quadros mais avançados, sinais como sangue nas fezes, perda de peso sem causa aparente, anemia, dor abdominal recorrente e mudanças importantes no hábito intestinal tendem a se tornar mais evidentes.

O risco é maior entre pessoas com 50 anos ou mais, indivíduos com excesso de peso, sedentarismo e dietas pobres em fibras e ricas em carnes processadas e ultraprocessados. Histórico familiar, tabagismo, consumo frequente de álcool e doenças inflamatórias intestinais, como Doença de Crohn e retocolite ulcerativa, também estão associados a maior predisposição ao desenvolvimento da doença.

Avanços no tratamento

O governo federal anunciou um pacote de medidas voltadas à ampliação do acesso ao tratamento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as principais mudanças estão a incorporação de uma nova modalidade de financiamento para 23 medicamentos de alto custo utilizados no tratamento do câncer e, pela primeira vez, a inclusão de cirurgias robóticas oncológicas na rede pública. A iniciativa também prevê a ampliação do acesso à reconstrução mamária para pacientes submetidas à retirada da mama.

Anúncio ocorre em meio ao aumento da demanda por atendimentos oncológicos no país. Em 2025, o SUS registrou crescimento no número de procedimentos relacionados ao tratamento do câncer. Foram realizados 189,9 mil procedimentos de radioterapia, um avanço de 22% em comparação com 2022, quando o total chegou a 155,3 mil. Na quimioterapia, o aumento foi de 20%, passando de 3,9 milhões para 4,7 milhões de atendimentos no mesmo período.

Câncer colorretal

Faixa etária: 45 a 75 anos;
Maior predisposição: histórico familiar, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo frequente de álcool e alimentação rica em ultraprocessados;
Estimativa no Brasil: 53,8 mil novos casos por ano;
Mortalidade: cerca de 24 mil mortes anuais;

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