Vai começar a peleia

Opinião

Ezequiel Neitzke

Ezequiel Neitzke

Jornalista

Coluna esportiva

Vai começar a peleia

O futebol amador do Vale do Taquari tem algo que o diferencia de qualquer outro cenário: ele não começa no apito inicial, mas muito antes, nas conversas de bastidores, nos grupos de WhatsApp, nas promessas de retorno e nos sonhos de reconstrução. E é justamente isso que volta a ganhar forma com a largada da organização do Regional 2026 da Aslivata.

A partir da próxima terça-feira, 24, a engrenagem começa a girar oficialmente. Mas, convenhamos, ela nunca esteve parada. Com expectativa de mais de 70 equipes distribuídas entre titular, aspirante, veterano e master — sendo cerca de 29 apenas na força principal — o campeonato já nasce grande. Não apenas em números, mas em significado. Porque o Regional não é só competição. É pertencimento.

Os primeiros sinais reforçam isso. O retorno do São Luiz, de Santa Emília, em Venâncio Aires, na categoria titular e aspirante é um exemplo claro de um movimento que valoriza a essência. A aposta em atletas locais, muitos já conhecidos da Copa Serrana, revela mais do que contenção de gastos: mostra uma tentativa de reconectar o clube com a comunidade. Em tempos de elencos inflacionados até no amador, escolher o prata da casa é raro.

Mas nem todos os retornos são simples. O possível reingresso do 7 de Setembro, de Capitão, expõe um dilema recorrente: como competir quando os principais jogadores já estão espalhados por outras equipes? Se fala nos bastidores que o 7 de Setembro reunirá no próximo ano o quarteto responsável pela conquista de 2018 – Zequinha Possamai, Marrom, Marcos Fachini e Arley Haefliger.

O Rui Barbosa, de Arroio do Meio, tricampeão, reorganiza sua casa com a volta de Alípio Trasel à presidência e mira o tetra. Não é apenas ambição esportiva; é a busca por reafirmação de um legado.

Enquanto isso, cidades inteiras se movimentam para não ficar de fora. Cruzeiro do Sul deve garantir presença, ainda que sem definição oficial do clube, e Encantado aposta na união de forças para tentar levar o Serrano a um título inédito na categoria principal. Em ambos os casos, o que se vê é o futebol como projeto coletivo, que ultrapassa as quatro linhas.

E talvez seja esse o ponto central: o Regional da Aslivata não é decidido apenas por quem tem o melhor time, mas por quem consegue mobilizar mais gente, mais história, mais identidade.

No fim das contas, a “peleia” que começa agora não é só por taças. É por espaço, por relevância e por sobrevivência de uma tradição que resiste ao tempo. E, como todo bom campeonato do interior, antes mesmo da bola rolar, já tem favorito, já tem dúvida e, principalmente, já tem paixão suficiente para lotar qualquer campo.

Histórico

Nessa quinta-feira, a Secretaria de Juventude Esporte e Lazer, de Estrela, entregou o valor de arrecadação com a Run More para a Liga Feminina de Combate ao Câncer. O valor superior a R$ 100 mil é algo que ficará na história, pelo menos até a próxima edição, quando essa cifra será superada.

Receba notícias
em primeira mão

Acompanhe
nossas
redes sociais