O enfrentamento à violência contra a mulher exige mobilização da sociedade, fortalecimento das políticas públicas e participação ativa dos homens no debate. A mensagem marca a abertura do Fórum Pensar Mulher: Todos contra a Violência.
Diretor executivo do Grupo A Hora, Adair Weiss destacou que o propósito do evento é ampliar a discussão sobre um problema que ainda atravessa a sociedade.
Segundo ele, a naturalização histórica da violência precisa ser enfrentada com posicionamento público e ação coletiva.
“O patriarcado absolutista está caindo. Quando relativizamos para justificar a violência, não entendemos a gravidade das coisas”, afirma.
Weiss ressalta que durante muito tempo a submissão feminina foi tratada como algo normal. Para ele, esse pensamento ainda aparece no inconsciente de parte da sociedade.
Para ele, a omissão contribui para perpetuar a violência. “Não podemos consentir. Toda omissão tem culpa. Precisamos agir, não apenas no discurso. Os homens também precisam entrar e não tolerar a violência de gênero.”
Machismo também entre mulheres
A prefeita de Lajeado, Gláucia Schumacher, afirma que a violência contra a mulher precisa voltar ao centro das discussões públicas, inclusive nas datas simbólicas como o Dia Internacional da Mulher.
Segundo ela, ao longo da vida nunca havia sentido preconceito direto, algo que passou a perceber após ingressar na política. “Uma mulher escreveu: ‘Gláucia, para de brincar de casinha e vai administrar a cidade’. Isso mostra que o machismo também está presente entre mulheres”, afirma.
Para a prefeita, os avanços conquistados pelas mulheres precisam ser celebrados, mas o debate sobre violência e desigualdade não pode ser ignorado.
Políticas de prevenção
Representante da Secretaria Estadual da Mulher, Márcia Scherer destaca que a violência doméstica exige respostas que vão além da repressão policial.
Ela relatou um caso que ilustra a gravidade das situações enfrentadas pelas vítimas.
“Um adolescente ligou para a polícia dizendo: ‘Minha mãe está apanhando, ela vai morrer’. Essa é a realidade que muitas famílias enfrentam.”
No ano passado, o Rio Grande do Sul registrou 80 feminicídios. De acordo com os dados apresentados, apenas cinco vítimas possuíam medida protetiva.
Entre as iniciativas do Estado está a criação de um plano individual de proteção para mulheres com histórico de violência doméstica ou consideradas em situação de risco.
A proposta envolve integração entre diferentes setores do poder público e a construção de uma rede de acompanhamento. “Precisamos atuar em rede, conversar entre os serviços e identificar as mulheres em risco antes que a violência aconteça.”
O Fórum Pensar Mulher segue ao longo da tarde com painéis sobre segurança pública, comportamento e integração da rede de proteção. O encontro reúne representantes da polícia, do Judiciário, de organizações sociais e especialistas na área.
