Fundado em 1967, o Esporte Clube Cristal, de Linha Estefânia, em Nova Bréscia, vive um novo momento. Com uma diretoria jovem, liderada pelo presidente Gustavo Gasparotto, 29, o clube passa por um processo de reestruturação que transformou o campo em um ponto de encontro da comunidade e em alternativa de geração de receita.
Localizado a cerca de seis quilômetros dos centros de Capitão e Nova Bréscia, e a 12 quilômetros de Travesseiro, o Cristal encontrou no futebol sete noturno uma solução para manter o espaço ativo durante todo o ano. A ideia, segundo Gasparotto, era amadurecida há anos, mas ganhou força após a enchente que atingiu a região.
“Depois da enchente, o Sicredi disponibilizou recursos para algumas sociedades atingidas. Com esse dinheiro conseguimos tirar o projeto do papel, fazer orçamento e começar a construção, tudo devagarinho, até conseguir concluir”, explica.

O investimento foi baixo, mas estratégico. Com cerca de R$ 3 mil repassados pelo Sicredi, principal parceiro do projeto, o clube adquiriu cabos, refletores e parte dos materiais. A instalação elétrica foi feita por moradores da comunidade, enquanto a Cerfox contribuiu com a doação de oito postes de energia. Somando serviços como guincho, o custo total ficou próximo de R$ 4 mil.
A mudança trouxe impacto direto na rotina do clube. Antes o campo ficava longos períodos sem uso, o que dificultava a manutenção. “Não é fácil manter um campo o ano inteiro. Tem épocas sem campeonato e o espaço ficava parado. Com os jogos à noite, conseguimos movimentar a copa, vender alguma coisa e pagar despesas de água e luz”, afirma o presidente.
Inicialmente, os jogos aconteciam uma noite por semana, mas a procura cresceu rapidamente, inclusive com atletas de outros municípios. “Teve dias com três horários. É algo que vai crescendo conforme o pessoal chega. Se divulgar mais, sempre tem interessados”, relata Gasparotto.
Além da arrecadação direta, o futebol sete passou a fortalecer o convívio social. Após as partidas, são comuns confraternizações com churrasco e bebida, o que ajuda a reforçar o caixa e manter a estrutura em dia. “Com esse fluxo de caixa, não nos apertamos mais com as contas e ainda conseguimos pensar em melhorias”, destaca.
Outro reflexo foi a reaproximação da comunidade. Crianças passaram a frequentar o espaço antes mesmo do início dos jogos noturnos, usando o campo para brincar e andar de bicicleta. “Quando se melhora a infraestrutura, o povo volta para a sociedade. Antes estava largado, agora conseguimos trazer a população de volta”, resume.
O ganho também é esportivo. Atletas do aspirante, que antes tinham pouca atividade, passaram a jogar semanalmente, ajudando na preparação para campeonatos oficiais.
Mesmo com os avanços, o clube ainda enfrenta desafios. A enchente de maio de 2024 causou danos na sede, exigindo troca de telhado e melhorias em banheiros e vestiários. Segundo Gasparotto, uma parceria com a prefeitura já está encaminhada. “São obras custosas e sem a ajuda da administração não conseguiríamos. Está na hora de melhorar e trazer mais pessoas para perto da gente. Queremos que as pessoas venham e façam parte do Cristal”, conclui.
Projetos futuros
A diretoria do Cristal projeta para o segundo semestre a realização de um campeonato municipal de futebol 7, aproveitando a nova estrutura com iluminação. A ideia é unir forças com outros campos já existentes em Nova Bréscia, criando uma competição organizada em parceria com o poder público. “O objetivo é ampliar a oferta esportiva no município, movimentar ainda mais o campo de Linha Estefânia e consolidar o futebol 7 como alternativa para atletas e comunidades da região”, cita Gasparotto.
