O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 trouxe uma mensagem que, como empresário do setor de transporte, recebo com preocupação: o orçamento federal para investimentos em infraestrutura de transporte foi reduzido em R$ 2,7 bilhões em relação ao ano anterior. Mesmo em um contexto de aumento geral do orçamento público, a fatia destinada às estradas, ferrovias, portos e aeroportos encolheu.
É impossível não refletir sobre o impacto direto que essa escolha tem para o setor e, consequentemente, para toda a economia nacional. No caso do Transporte Rodoviário de Cargas, modal que movimenta mais de 65% de tudo o que é produzido no país, infraestrutura de qualidade não é um luxo, é uma necessidade.
Entendo que cada investimento deixado de lado significa mais custos operacionais, mais desgaste para as frotas, mais risco logístico e, no fim das contas, menos competitividade para o Brasil. Segundo a CNT, o orçamento para o Ministério dos Transportes em 2026 será de R$ 18,43 bilhões, bem abaixo dos R$ 32,33 bilhões previstos em 2025. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável por cuidar das rodovias não concedidas, teve um corte de R$ 1,7 bilhão em comparação ao ano anterior.
Como empresário, observo esses dados com um senso de urgência. Enquanto lideramos operações, atendemos clientes e buscamos manter a roda da economia girando, enfrentamos diariamente estradas que exigem manutenção, gargalos logísticos que demandam soluções e desafios que poderiam ser mitigados com um plano mais robusto de investimentos públicos.
Ao mesmo tempo, reconheço o esforço de tantas empresas do nosso setor que, mesmo diante das limitações, seguem investindo em tecnologia, segurança, capacitação e frota. Isso mostra o quanto o TRC é resiliente e comprometido com o país. Mas também deixa claro que não podemos caminhar sozinhos. Precisamos de uma política pública alinhada ao potencial e à responsabilidade que o setor logístico carrega.
A estimativa de R$ 13,83 bilhões para investimentos da União em infraestrutura de transporte em 2026 (fora estatais) representa apenas 0,2% do orçamento total. Desses, R$ 11,9 bilhões serão destinados ao modo rodoviário, ainda assim, um valor três vezes menor do que a necessidade apontada pela própria Confederação Nacional dos Transportes (CNT) para recuperação e reconstrução das rodovias federais.
É importante lembrar que estamos falando de investimentos que não beneficiam apenas as transportadoras. Eles movimentam a agricultura, abastecem cidades, garantem insumos à indústria, promovem o turismo e geram empregos. O transporte é uma engrenagem vital, quando falta investimento em infraestrutura, quem perde é o Brasil inteiro.
Por isso, acredito que é hora de avançar no debate. De estimular a articulação entre entidades, lideranças e parlamentares para garantir que o orçamento do transporte seja tratado como prioridade. De propor, de participar e de lembrar que investimento em infraestrutura não é gasto, é desenvolvimento!
O futuro do setor não se constrói apenas com tecnologia, inovação e eficiência privada. Ele também depende de políticas públicas bem estruturadas, que reconheçam o transporte como ferramenta de progresso. Como empresário, sigo fazendo a minha parte. Mas reforço que para que o Brasil avance com consistência, precisamos de estradas que acompanhem o nosso ritmo.