Em Belém, propostas de resiliência no Vale do Taquari ganham destaque

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Em Belém, propostas de resiliência no Vale do Taquari ganham destaque

Agentes regionais marcam presença durante a COP30, entre os dias 10 e 21 de novembro. Projetos inovadores na reconstrução das cidades serão apresentados durante a conferência, bem como pesquisas de adaptação

Em Belém, propostas de resiliência no Vale do Taquari ganham destaque
Após catástrofe, prefeita de Estrela aponta importância de implementar projetos de resiliência climática. (Foto: Felipe Neitzke)
Vale do Taquari

O Vale do Taquari, uma das regiões mais afetadas por eventos climáticos extremos no ano passado, marca presença na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorre de 10 a 21 de novembro, em Belém, no Pará. Desde o enfrentamento às propostas de resiliência, gestores públicos e privados apresentam medidas utilizadas no período de reconstrução e propostas de adaptação.

A realidade da região e as ações de reconstrução, aliadas à adaptação climática, ganham destaque internacional durante a conferência. Projetos que propõe medidas baseadas na natureza, inovação como apoio e recuperação e pesquisas voltadas à descarbonização colocam o Vale do Taquari em variados painéis durante a COP.

Projetos resilientes na gestão pública

A formatação de projetos que incluem as Soluções Baseadas na Natureza (SBN) ganha espaço na administração de Estrela e o município se destaca com o avanço de planos sustentáveis. A mudança de perspectiva ao pensar o urbanismo será abordada pela prefeita Carine Schwingel, a convite da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), no dia 11 de novembro.

Além de conscientizar gestores públicos acerca do assunto, a prefeita aponta a necessidade de ampliar o acesso a recursos para que os projetos sejam executados. Ela também avalia que as oportunidades precisam chegar às cidades do interior. Atualmente, o município desenvolve cinco propostas com medidas resilientes.

“As enchentes ensinaram que temos que formar uma gestão sustentável. Temos que mudar o perfil. Não podemos pensar o urbanismo sem pensar nas soluções baseadas na natureza. Precisamos de caminhos de financiamento para colocar isso em prática. Sabemos que é caro e que a grande maioria dos municípios não tem acesso”, avalia Carine.

Em preparação à COP, a gestora apresentou, durante a C40 no Rio de Janeiro, um dos projetos de resiliência climática em desenvolvimento no município. Na avaliação dela, o Vale do Taquari, que recebeu destaque nacional durante as enchentes de 2024, precisa utilizar a projeção para buscar soluções de adaptação climática.

Inovação para solução climática

Movimento de impulso a inovação e tecnologia, o Pro_Move Lajeado leva ações e projetos de desenvolvimento a Belém. O objetivo, segundo o diretor-executivo da Agência de Desenvolvimento e Inovação Local (Agil), Tiago Guerra, é apresentar o potencial da quádrupla hélice para solução de problemas, inclusive relacionados ao meio ambiente.

O Pro_Move atua sob o conceito da quádrupla hélice, modelo que integra poder público, universidades, iniciativa privada e comunidade. Essa estrutura permite o desenvolvimento de projetos de transformação social e fortalecimento da cultura de inovação, explica o diretor-executivo. “É um ecossistema que também funciona como apoio”, comenta Guerra.

Entre os projetos executados estão a construção de unidades habitacionais, bolsas de capacitação e parceria para capital de giro em apoio a empresas que foram atingidas pelas cheias, sobretudo em Lajeado. Além disso, novas ações para o município têm parecer favorável, com investimentos de aproximadamente R$ 15 milhões.

Recuperação ambiental

A criação de um Plano Estadual de Recuperação Ambiental do Vale do Taquari também é projetada ao âmbito internacional. O tema, defendido pelo deputado estadual Professor Bonatto (PSDB), busca garantir resiliência climática e proteção ambiental sem abrir mão da produção agrícola na região.

Na avaliação do parlamentar, a construção precisa acontecer de maneira resiliente. O projeto prevê reflorestamento de áreas degradadas, adoção de práticas de manejo ambiental e uso de tecnologias sustentáveis, bem como apoio a agricultores familiares. A matéria tramita na Assembleia Legislativa do RS.

“É necessária a criação de atividades que impulsionem esse olhar. Precisamos agir com responsabilidade e construir políticas públicas que conciliem a preservação do meio ambiente e a força da agricultura”, afirma o deputado. Ele também abordará o Programa Estadual do Mercado Regulado de Créditos de Carbono (PMRCC).

Vale como referência

Pesquisa feita em Ilópolis ganha destaque internacional. (Foto: divulgação)

Um trabalho desenvolvido em Ilópolis coloca a região em destaque internacional. A erva-mate se tornou protagonista de uma discussão global sobre sustentabilidade e descarbonização. O tema será abordado em painel sobre a contribuição da agropecuária brasileira para um futuro de baixa emissão de carbono durante a conferência.

O estudo, desenvolvido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) em parceria com a Associação dos Produtores e Parceiros da Erva-Mate do Alto Taquari (Appemat), analisa os fluxos de gases de efeito estufa em três sistemas de cultivo da planta: mata nativa, cultivo a pleno sol e cultivo sombreado entre araucárias.

Os resultados apontam que o sistema sombreado apresentou o menor potencial de aquecimento global, demonstrando-se uma alternativa ambientalmente sustentável e com maior capacidade de acúmulo de carbono no solo e na vegetação. Para o presidente da Appemat, Clóvis Roman, a participação na COP30 representa um marco para a região produtora.

“É um estudo que começou em 2023, com as tratativas e a instalação das estações, e hoje estamos prontos para apresentar esses números”, explica. A apresentação dos dados ocorrerá no dia 16 de novembro, com a participação da integrante da Appemat, Ariana Maia, que representará os produtores locais junto à equipe da Seapi.

O dirigente ressalta que, além do impacto ambiental positivo, o estudo tem reflexos diretos na economia regional.“É uma nova maneira de buscar mercados para o produto. A COP é uma vitrine mundial, com países e legislações atentos a essas questões. Estar lá com um trabalho dessa importância coloca Ilópolis e o Alto Taquari em um novo patamar de visibilidade”, completa.

Sobre a COP

30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes), um encontro global anual onde líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil discutem ações para combater as mudanças do clima. O evento ocorre entre os dias 10 e 21 de novembro, em Belém, no Pará.

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