Duplicação da RSC-287 amplia capacidade logística do Vale

OBRA EM ANDAMENTO

Duplicação da RSC-287 amplia capacidade logística do Vale

Primeiros quilômetros em Tabaí foram entregues no fim de agosto. Município vive momento especial e projeta atrair investimentos. Máquinas avançam em direção a Taquari e municípios de Bom Retiro do Sul e Venâncio Aires vivem expectativa por começo dos trabalhos

Duplicação da RSC-287 amplia capacidade logística do Vale

Pista dupla, viadutos, passarelas, novos acessos e uma capacidade logística ampliada. Importante ligação da região central do RS com Porto Alegre, a RSC-287 passa por um processo de transformação. Neste mês, foram entregues os primeiros quilômetros de duplicação da rodovia, com um trecho localizado no Vale do Taquari em evidência.

Com pista duplicada na BR-386, Tabaí agora passa a contar também com dois quilômetros de trecho ampliado na 287. As obras iniciaram em outubro do ano passado e já é possível trafegar em parte da nova pista. Há também trabalhos em execução em direção a Taquari, até as imediações da praça de pedágio, com projeção de término no fim deste ano.

Ao todo, a Concessionária Rota de Santa Maria, empresa do Grupo Sacyr, vencedora do leilão da rodovia, deve investir R$ 3,6 bilhões para duplicar os 204,5 quilômetros entre Tabaí e Santa Maria. Até 2027, a perspectiva é de que 70 quilômetros duplicados já tenham sido entregues pela empresa responsável.

Além de Tabaí e Taquari, a 287 também passa por outros dois municípios da região: Bom Retiro do Sul e Venâncio Aires. Nesta última, está um dos trechos considerados mais urgentes para o avanço da obra, em Vila Mariante. Parte da estrada foi destruída com a enchente do Rio Taquari de maio de 2024, obrigando a concessionária a abrir desvios alternativos ao lado da rodovia.

Negociações

Tabaí vive um 2025 especial. O município de 4.461 habitantes completa 30 anos de emancipação político-administrativa em meio a expectativa de contar com mais uma rodovia totalmente duplicada. Os primeiros dois quilômetros já foram entregues. Agora, a perspectiva é de avanços em direção a Taquari.

O prefeito Anderson Vargas iniciou o mandato em janeiro e precisou dialogar para garantir obras que antes não estavam previstas. Houve conflito entre moradores e concessionária e, por conta disso, destaca que foram “meses intensos de negociação” para garantir a regularização dos acessos.

“Nos primeiros seis meses de mandato, eu corri só por questões do acesso. O primeiro projeto aprovado era sem regularização de acessos. As pessoas teriam que bancar isso. Ficaria um custo muito grande para os moradores”, lembra. O Estado se comprometeu a custear a regularização, embora a implementação tenha exigido novas tratativas com a concessionária.

Além das obras complementares previstas no contrato – como as passarelas na frente dos Correios e à Escola Pedro Rosa, também foi apresentado pedido por uma passagem no bairro Joaquim, área com grande população e fluxo de trabalhadores. “Ainda conseguimos incluir uma rua lateral do lado direito da via, que liga a avenida Manoel Ferreira até a Escola Pedro Rosa”, observa.

Interesse privado

Contar com duas rodovias duplicadas em sua malha viária também faz Tabaí despertar a atenção de investidores. Conforme Vargas, há “sinais imediatos” de interesse privado a partir do avanço das obras da RSC-287.

“Um empresário comprou área de terra próximo à 386, em torno de R$ 2 milhões, para fazer um paradouro, um posto de combustíveis e um hotel. Isso tudo movimenta a nossa economia. E agora com a 287 também sendo duplicada, já temos empresários vindo conversar conosco, interessados em se instalar às margens da rodovia”.

Projeto audacioso

Embora não seja um trecho muito extenso – cinco quilômetros –, Bom Retiro do Sul também aguarda com expectativa pelo início da duplicação no município. A perspectiva, segundo o prefeito Celso Pazuch, é de que as obras ocorram entre 2026 e 2027. O esboço do projeto, sem retornos previstos, desagrada a gestão municipal.

“Os moradores teriam que ir ou até Mariante, ou próximo ao pedágio de Taquari para fazer o retorno. Nossa busca prioritária será pelo retorno dentro do nosso trecho”, observa. Segundo ele, assim que o projeto estiver pronto, os pedidos serão analisados junto à Secretaria da Reconstrução Gaúcha.

Segundo Pazuch, a 287 é considerada uma rodovia estratégica ao município, pois ela escoa parte da produção em direção a região Sul do RS. “Temos projetos audaciosos para essa área, com atração de novas empresas, que se potencializam com a duplicação. Temos acompanhado cada detalhe e atualização deste projeto”.

Obra em 2026

Com três desvios provisórios em cinco quilômetros de rodovia, o trecho de Vila Mariante, em Venâncio Aires, é um dos mais críticos da 287. O projeto executivo para duplicação e reconstrução será entregue até o fim deste mês, segundo informações da administração municipal. A expectativa é de que as obras iniciem em 2026.

O plano prevê a elevação da pista em até dois metros, a construção de seis pontes secas e novas estruturas de drenagem para aumentar a segurança em futuros eventos climáticos. Também foi reafirmada a duplicação da ponte sobre o Rio Taquari, prevista até 2027. Os trabalhos serão executados de forma a minimizar impactos no tráfego.

Uma das preocupações do município é com relação aos acessos. “Seguimos nesse debate com os produtores rurais e moradores das margens, que não podem ser penalizados com pagamento de obras e projetos e por isso estamos discutindo, com mediação do Ministério Público, um aditivo contratual com o Estado”, salienta o prefeito Jarbas da Rosa.

Agilidade na duplicação

Empresário que atua no setor logístico e também em entidades representativas, Diego Tomasi reforça a importância da duplicação da RSC-287 para o desenvolvimento do RS e também do Vale do Taquari. Para ele, “quanto mais trechos duplicados”, maior a segurança. No entanto, espera que as obras não enfrentem atrasos como ocorreu na BR-386.

“A duplicação é muito importante porque há grande circulação de caminhões. Também foi uma rodovia bastante afetada pelas cheias, e a recuperação dos trechos danificados está demorando. Seria importante a concessionária agilizar esse processo”, destaca.

Contadores de veículos

Pórticos contadores de veículos foram instalados pela Rota de Santa Maria o longo da RSC-287. Os equipamentos têm a função de monitorar, de forma automática e contínua, o fluxo de tráfego, registrando volume, velocidade média e a tipologia dos veículos que circulam pela via.

Os pontos monitorados já contavam anteriormente com dispositivos intrusivos, baseados em laços instalados no solo. Contudo, devido à dinâmica da rodovia e aos danos recorrentes nesses equipamentos, optou-se pela adoção de tecnologia mais moderna e não intrusiva.

Dentro do cronograma

Em nota encaminhada à reportagem, a Concessionária Rota de Santa Maria respondeu aos questionamentos sobre o andamento da duplicação da RSC-287. Confira os principais pontos abordados:

  1. PRAZO SATISFATÓRIO
    “As obras tiveram um bom andamento e conforme compromisso assumido com a sociedade, a Rota de Santa Maria disponibilizou aos usuários os primeiros trechos da rodovia duplicada, no último dia 29”.
  2. CONTRATEMPOS
    “Muitos foram os desafios. Fazendo uma analogia, executar uma obra de duplicação em perímetro urbano e com tráfego foi o mesmo que “trocar um pneu com o carro andando”. Além dos desafios de uma obra desse porte, a interação com lindeiros, entes públicos e sociedade demandaram uma grande força tarefa a fim de dar resposta aos problemas que surgem ao longo da execução”.
  3. OBRA EM TABAÍ
    “A exemplo dos questionamentos que ocorreram quando da demolição da ponte sobre o Arroio Santa Cruz em Tabaí, onde após muito diálogo e análises técnicas, comprovou-se que a solução projetada era a mais adequada”.
  4. PRÓXIMOS PASSOS
    “Estão iniciando as obras de reconstrução do Arroio Grande (Santa Maria) e Arroio Barriga (Paraíso do Sul). São obras que já vão nascer com o conceito de resiliência climática, adequadas para o cenário de novos eventos climáticos extremos. Ainda, está em fase final a aprovação dos projetos para reconstrução e adaptação da rodovia nos trechos de Candelária e Mariante”.
  5. VILA MARIANTE
    “Está sendo superada uma etapa de aprofundados estudos técnicos e projetos de engenharia para a reconstrução desses segmentos em conjunto com as obras de duplicação e adaptação da rodovia para resiliência climática. Modelos matemáticos, estatísticos e hidráulicos foram largamente discutidos e questionados para que ao fim do processo tivéssemos certeza de estarmos entregando as melhores soluções de engenharia”.
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