O governo dos Estados Unidos decidiu voltar atrás e retirar as tarifas adicionais sobre a maior parte das exportações brasileiras de celulose e ferro-níquel. Deixam de incidir a alíquota de 10%, aplicada em abril, e a recente sobretaxa de 40%. No caso da celulose, a decisão inclui três códigos específicos que representam mais de 90% das vendas do setor aos EUA. Em 2024, foram comercializadas 2,8 milhões de toneladas, cerca de 15% do comércio total do país.
Entre janeiro e maio de 2025, as exportações brasileiras de celulose para os EUA registraram queda de 15,2% em valor e 8,5% em volume, reflexo da tarifa adicional anunciada em abril como parte da política de “tarifas recíprocas” do governo americano. Com a retirada, o setor espera recuperar parte do espaço perdido no primeiro semestre, em um momento de retração e concorrência intensa.
>> Participe da comunidade no WhatsApp e receba as notícias do Agro360
Apesar do recuo, outros produtos florestais, como papéis e painéis de madeira — MDF e MDP — continuam com tarifas elevadas, de 50% e 40%, respectivamente. Para a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), a decisão é resultado da pressão de clientes e parceiros norte-americanos, além de articulação diplomática e do trabalho de lobistas contratados por exportadores.
A retirada da tarifa sobre ferro-níquel também representa alívio para o setor de mineração brasileiro, que vinha enfrentando dificuldades para manter competitividade no mercado norte-americano. O recuo em ambos os produtos evidencia a importância da atuação conjunta de empresas, entidades setoriais e diplomacia para a defesa de interesses estratégicos do Brasil no comércio exterior.
Além do impacto econômico imediato, a decisão deve ajudar a estabilizar preços e contratos, recuperar competitividade e reduzir incertezas sobre o fluxo de exportações no segundo semestre. Especialistas alertam, no entanto, que a guerra tarifária ainda mantém barreiras sobre outros produtos brasileiros, exigindo atenção contínua e estratégias de negociação internacional.
