Morreu nesta terça-feira, 26, em Estrela, o empresário Gilberto Becker Delwing, aos 70 anos. Beto, como era conhecido em função de sua atuação frente ao Cachorrão do Carmelito e Beto, lutava contra um câncer no intestino e recebia cuidados em casa, no sítio da família, onde faleceu por volta das 8 horas. A doença foi descoberta em abril do ano passado, quando então ele se recolheu para receber cuidados e tratamento adequado.
Solteiro, Beto residia no sítio em Estrela e manteve uma estreita relação com os sobrinhos e o irmão mais velho, o Carmelito. A família Becker Delwing, composta de sete filhos, sempre foi unida. O empreendimento permanecerá fechado, em luto, pelos próximos dias.
Generosidade
Além da vida profissional, Beto era conhecido pelo caráter e generosidade. “Ele ajudou a criar meus filhos, a pagar meu mestrado. A felicidade dos outros era a alegria dele”, recorda a sobrinha Dirce Becker Delwing. Para ela, Beto foi como um pai e parceiro na adolescência do primeiro filho, Juliano Dossena Júnior.
Entre as lembranças que ficam, uma é recorrente: Beto sabia de cor os pedidos dos clientes. “Para você é sem salsa, para você é com muita maionese”, lembram amigos e familiares, ressaltando o jeito brincalhão e atencioso que cultivava com todos.
O advogado Juliano Dossena Junior lembra com carinho como a presença de Beto impactou sua vida. “Trabalhei com o Beto no cachorrão por quatro anos, dos 14 aos 18, e considero esse período um dos mais importantes da minha vida. Além de preencher uma lacuna, ele foi uma das pessoas que moldaram meu caráter, principalmente na turbulenta fase da adolescência”. Beto dizia que Juliano deveria “tirar” Direito.Hoje, o advogado agradece a orientação segura e firme.
A História de Beto se confunde com o cachorrão
A história de Beto inicia em 1972, quando o irmão Carmelito o trouxe de Estrela para Lajeado para juntos, abrirem um trailer de cachorro quente, em frente ao Colégio Castelinho. Ele tinha 17 anos.
Os dois foram eternos parceiros e a fama do cachorrão foi aumentado até virar uma marca consolidada.
O “Cachorrão do Carmelito e Beto” ganhou ainda mais força em 2011, quando a família inaugurou o prédio próprio em Lajeado, consolidando a história de um dos lanches mais tradicionais do Vale do Taquari. Por causa da farta maionese de sabor único, o empreendimento se tornou símbolo popular da região. A Maionese Carmelito começou a ser comercializada em outubro de 2019 e causou sensação nos mercados.
O negócio já consolidado, virou até ponto turístico gastronômico e tamanha repercussão valeu honrarias.
Em 2022, Beto e Carmelito receberam da Câmara de Vereadores o título de Cidadãos Lajeadenses, em reconhecimento à importância cultural e afetiva do negócio.
Beto deixa os irmãos Carmelito, Terezinha, Elaine e Mirna. Outros dois irmãos, Tânia e Sérgio, já são falecidos. Em 2025, Carmelito e Beto completariam 53 anos de parceria.
