Mãe e filho se salvam após ficarem cinco dias à espera de resgate

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Mãe e filho se salvam após ficarem cinco dias à espera de resgate

O rio os arrastou de Cruzeiro do Sul até Vila Mariante, por um percurso de 27 quilômetros. Eles ficaram refugiados em cima de escombros flutuantes

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Atualizado quinta-feira,
23 de Maio de 2024 às 19:56

Mãe e filho se salvam após ficarem cinco dias à espera de resgate
Foto: Hospital São José, de Taquari
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Imagens do pescador João Emiliano Salamoni, 35 anos e da mãe Elvira Polippo, 56, repercutem nas redes sociais após ficarem cinco dias à espera de resgate, em cima de escombros flutuantes, no interior de Venâncio Aires. O rio os arrastou de Cruzeiro do Sul até Vila Mariante, por um percurso de 27 quilômetros. O relato de como João e a mãe conseguiram se salvar impressionou familiares e internautas.

No dia 5 de maio, três voluntários os resgataram. Mãe e filho estavam em um monte de escombros. João, de bermuda e a mãe de blusa de alça, pois ela havia fornecido o moletom a ele. Protegia o filho cadeirante, que se recuperava de cirurgia, impossibilitado de nadar.

João se recupera na casa de familiares em Lajeado / foto: arquivo pessoal

João se recompõe na casa de familiares em Lajeado e conta o que aconteceu. Ele a mãe Elvira e o padrasto Valson Tande residiam em Cruzeiro do Sul quando ficaram ilhados pelas cheias, em 2 de maio. Para escapar, se refugiaram no telhado da casa de madeira onde permaneceram 20 horas esperando helicóptero.
Com a força da correnteza, a residência desabou lançando-os nas águas. “A mãe se agarrou nas madeiras do telhado e prendeu minha mão à dela, pois eu perdi as forças”, relata João.

Nadador experiente, ele sequer mexia as pernas em razão de uma cirurgia de coluna. Até se manter estável na madeira do rio, afogou-se três vezes e emergiu. Ambos foram arrastados rio abaixo por 27 quilômetros e para sobreviver, se agarraram a destroços . “Enquanto a correnteza nos levava, eu conseguia falar com minha mãe e dizia: “solta minha mão, salva tua vida”. Elvira, que pouco sabia nadar, se recusou a obedecer.

“Nós comemos nozes e laranjas”

As madeiras não sustentaram o peso de ambos. Tiveram de agarrar a uma caixa de isopor para continuar à deriva. Lutando contra a velocidade da correnteza, conseguiram mudar do isopor para um pedaço de piso. Logo em seguida, mãe e filho deitaram-se no piso, para se esquivarem da ponte próxima a vila Mariante. “Passamos muito rente a ponte. Se não nos deitássemos, iríamos morrer.” O piso estava se quebrando e eles conseguiram se apoiar em uma tampa de geladeira.

A correnteza os empurrou a um monte de entulhos flutuante. Ali permaneceram cinco dias, até serem resgatados por três voluntários em uma lancha. “Estava muito frio, Nós comemos seis nozes e cinco laranjas”. João dormia à noite, acometido pela dor da cirurgia. “Minha mãe não conseguiu dormir, ela tinha medo de que a água levantasse e nos levasse novamente ”.

Diagnóstico de Leptospirose

Após o resgate, João ficou internado durante dez dias no hospital do município de Taquari para receber cuidados médicos especiais por causa da cirurgia. Elvira foi levada ao Hospital Bruno Born, diagnosticada com leptospirose. “A minha mãe já está lúcida e vai sair desta”, afirma o filho. O padastro, Valson Tende, pescador e policial militar aposentado, foi encontrado em Vila Mariante nove dias após ter sido lançado ao rio, com o corpo já deteriorado. Ainda internados, João e Elvira receberam a notícia da morte do policial.

A família de João perdeu tudo na tragédia e precisa de ajuda para custear os remédios e reconstruir suas vidas. A prima, Paola Pollipo, organiza uma vaquinha online .

  • Link para ajudar a família AQUI

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