Além de uma briga na escola

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Além de uma briga na escola

Repensar os comportamentos e atitudes do cotidiano para respostas mais equilibradas. Depois do episódio de violência dentro da sala de aula do Castelinho, estratégias da rede de proteção é garantir espaços para construção de círculos de paz e de apoio socioemocional para alunos e professores

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Atualizado quarta-feira,
03 de Abril de 2024 às 12:19

Além de uma briga na escola
Depois da briga na segunda-feira, instituições do Estado definem estratégias para garantir mais segurança aos professores e alunos do Castelinho. (Foto: Filipe Faleiro)
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O dia depois da briga que ganhou repercussão estadual foi marcado por diálogo nas turmas, entre professores e pela implantação do Comitê de Prevenção a Violência Escolar (Cipave) no Colégio Castelo Branco.

Maior escola da rede pública do Vale do Taquari, com quase mil alunos, a instituição tenta esquecer as imagens da confusão entre dois adolescentes, ocorrida no intervalo do turno da manhã dessa segunda-feira, 1º de abril.

“Foi um episódio traumático. Demos todos os encaminhamentos necessários e vamos seguir em frente. Foi uma rixa da rua que acabou dentro da sala de aula”, diz a diretora, Jurema de Oliveira.

A confusão aconteceu em uma turma de 1º ano do Ensino Médio. Foi justo nesta em que houve mais atenção. A 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) compareceu para acompanhar as aulas e as rodas de conversas com os alunos.

“Nossa primeira ação foi reunir os professores. Hoje (ontem), foi o primeiro momento, com mais dedicação a turma onde aconteceram as agressões”, conta a assessora pedagógica, coordenadora do Cipave, Jilvane Gohl.

O Castelinho ocupa três prédios cedidos pela Univates devido aos prejuízos na sede após as enchentes do ano passado. Com poucos servidores, a equipe sente dificuldades em circular pelos diferentes espaços. Tanto que o Estado confirma a contratação de mais monitores à escola.

Aulas mantidas

As imagens da briga entre um aluno do Castelinho e outro da Érico Veríssimo foram difundidas pela internet. A gravidade do fato fez com que a Univates sugerisse a suspensão das aulas.

Depois de uma reunião entre autoridades do Estado, Secretaria Estadual de Educação (Seduc), 3ª CRE, e Brigada Militar, foi definida a continuidade das atividades, mas com reforço no policiamento na parte externa e também com as atividades de conscientização.

“Nossa equipe está mobilizada para atendermos os alunos. Optamos por manter as aulas para darmos ênfase ao diálogo, para nos concentrarmos nos bons exemplos”, diz a diretora Jurema.

“Dever de todos”

O compromisso contra a violência não pode ficar apenas para a educação. É o que afirma a assessora pedagógica, Evanice Schroeder. “Esse compromisso é uma carga muito pesada. É preciso que a sociedade reveja suas atitudes. É toda uma cultura de apologia as violências, de discriminação, de desrespeito. A escola é um reflexo”, lamenta.

Na avaliação dela, é necessário mais empatia. “Ouvimos muitos dizer: ‘bem feito’, ‘tinha que apanhar’. Eu me pergunto, é assim que você quer ser tratado quando errar? A sociedade delega só para a educação um dever que é de todos.”

Responsabilidade

Durante os minutos de briga, chama atenção o comportamento de outros colegas. Entre estar alheio às cenas, também houve quem se omitiu e quem preferiu registrar por meio do celular.

“Temos de entender que nem tudo deve ser compartilhado. O envio das imagens potencializaram o acontecimento”, diz a assessora pedagógica, Jilvane Gohl. Em cima disso, a educadora alerta para o bullying digital. “Os dois que estavam brigando foram vítimas do uso indevido de suas imagens. Então, precisamos conscientizar os jovens que há consequências para essa exposição exagerada nas redes sociais.”

Professores se posicionam

No fim da manhã de ontem, a Associação dos Professores do Castelinho (APC) emitiu uma nota sobre os fatos do dia 1º de abril. “Manifestamos nosso repúdio a todo e qualquer tipo de violência. Nossa prática docente tem sido de pleno cuidado pelos nossos alunos. Sendo nossa escola uma instituição pública, tem por missão construir nos nossos estudantes a condição de pertencimento social, a percepção de sua condição cidadã.”

Pelo documento, os professores narram parte dos acontecimentos antes da briga. Pelo texto, o aluno da Érico Veríssimo ingressou nas salas da Univates no recreio. “Neste momento, aproveitando-se de que a universidade é um espaço aberto/universal, um jovem estranho à escola ingressou em uma das salas, munido de uma arma branca(soqueira) e iniciou uma agressão verbal seguida de ameaça contra um de nossos estudantes.”

Conforme o relato dos professores, o aluno do Castelinho toma uma atitude para sua própria defesa. Foram quase dois minutos de agressões. “Tomamos as providências que julgamos necessárias. Compreendemos que o assunto estaria resolvido, entretanto, por estarmos vivendo em um tempo em que as pessoas estão conectadas nas redes sociais, o episódio foi compartilhado sem a devida narrativa”, diz a nota.

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