Para superar a crise, cooperados apostam em união

FUTURO DA LANGUIRU

Para superar a crise, cooperados apostam em união

Única chapa inscrita para gerir a Languiru tem integrantes de comissões internas e de oposição ao antigo presidente

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Para superar a crise, cooperados apostam em união
Em 21 de março, associados protestaram em frente à sede da Languiru. No dia, Paulo Birck foi um dos manifestantes. Ele cobrou mais diálogo e apresentação dos números sobre a situação da cooperativa. Crédito: Felipe Neitzke/Arquivo A Hora
Vale do Taquari

Pacificar as relações entre cooperativa e quadro social, conhecer a real situação contábil e encontrar saídas para garantir a continuidade das produções. Esses são os objetivos centrais da única chapa inscrita para dirigir a Languiru nos próximos dez meses.

A assembleia extraordinária para aclamação está marcada para sábado, 29 de abril, na sede da Associação dos Funcionários, em Teutônia. Como presidente, o nome apresentado é de Paulo Birck. Para vice, Fábio Secchi; e para secretário, Fredi Haupenthal.

A chapa foi homologada pela comissão eleitoral nesse fim de semana. Para conseguir um consenso e evitar divisões, uma série de encontros foram feitos nos dias que antecederam o prazo de inscrições. Associados, superintendentes, ex-dirigentes e consultores debateram movimentos necessários para reestruturar a confiança dos produtores, terceirizados, fornecedores.

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Havia restrições pelo fato de alguns terem sido próximos da direção passada, liderada pelo ex-presidente Dirceu Bayer. Em especial entre líderes mais identificados com a oposição. O consenso foi conseguido nas horas que antecederam o fim do prazo de inscrição, às 11h desse sábado. A tentativa de união se sustenta na busca de alternativas para impedir o desmanche da cooperativa e o risco de uma insolvência da organização.

“Aprender com os erros”

O desafio da futura gestão da cooperativa perpassa transparência, profissionalismo e esforços conjuntos, tanto de integrantes, quanto de parceiros externos. É o que afirma Paulo Birck, líder da chapa à presidência.

Para ele, o movimento inicial é conhecer os números fiscais. Ao longo da semana, reuniões com as equipes técnicas visam antecipar movimentos, em especial devido às dificuldades no fornecimento de rações dentro do sistema de integração dos segmentos aves e suínos. O convênio da bacia leiteira com a Lactalis também é um dos aspectos avaliados. “Isso será em um segundo momento. Vamos conhecer o contrato e buscar conversar. Não podemos tomar uma decisão precipitada.”

Os três setores juntos representam quase 70% do faturamento da cooperativa, que no ano passado chegou a R$ 2,7 bilhões. No entanto, o resultado líquido foi negativo, com prejuízo de R$ 123,3 milhões. “Apesar das dificuldades, queremos unir os associados, aprender com os erros, não repeti-los e fazer com que a Languiru volte a ser sustentável”. De acordo com ele, por se tratar de um mandato de dez meses, a nova direção tem como objetivo reformular o estatuto, adotar um modelo de gestão mais atual, com a contratação de um diretor-executivo, e também um planejamento estratégico.

Ruptura com a gestão

O produtor, Fábio Secchi, integrava comissões internas da Languiru durante a gestão de Dirceu Bayer. Há quatro semanas renunciou. “Entendi que precisávamos de uma forma diferente para conduzir a crise. Como conselheiro, tentei argumentar. Vi que não era uma voz única por mudanças e mais transparência”.

Como candidato a vice-presidente, afirma estar disposto a contribuir. Antes mesmo da aclamação, está no grupo de transição. “Precisamos dar os primeiros passos em curto prazo. Queremos abrir a Languiru para todas as forças dispostas a ajudar neste momento.”

Justo este aspecto é visto como um dos equívocos na direção anterior. “Entendemos a responsabilidade, toda a importância da cooperativa para a região, para os produtores. Temos de ter humildade em todas as nossas ações.”

Revisão contábil urgente

Administrador de empresas com mais de três décadas de experiência, executivo em uma multinacional alemã, associado da Languiru e produtor de aves, André Kich, tem sido um dos nomes procurados para aconselhar a futura gestão da cooperativa. Para ele, o fato de haver um grupo de união, para reestabelecer vínculos, é um passo importante neste processo de retomada.

“É muito prudente haver essa organização, em não focar na gestão anterior. Não podemos esquecer as origens, causas dessa catástrofe. Mas, em um primeiro momento, é preciso conhecer o tamanho do rombo.”

Na avaliação de Kich, é preciso formar um grupo de transição, para que superintendentes hoje na gestão e futuros mandatários possam trocar informações. “Temos especulações. Alguns dizem que a dívida é de R$ 800 milhões ou de R$ 1,8 bilhão. Isso não é aceitável. Para saber os próximos passos, é preciso de uma reavaliação contábil rápida. Ver o que se tem de crédito, de débito. Quais foram os movimentos em janeiro, fevereiro, março e a prévia de abril. Só assim será possível encaminhar os três próximos meses.”

Pela experiência no mundo corporativo internacional, Kich aponta algumas medidas fundamentais. “Nas empresas que administro, existem um conselho consultivo e um comitê de crises. Se nos balanços, vemos algum segmento que não vai bem, estabelecemos medidas imediatas. Não se deixa correr, dois, três anos, de prejuízo, para depois procurar uma decisão milagrosa.”

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