“Nunca mais esqueci aquele carro”

ABRE ASPAS

“Nunca mais esqueci aquele carro”

Economista por formação, Juarês da Silva Rocha tem 67 anos e é natural de Viamão, mas mora em Lajeado há mais de quarenta anos. Como hobby, coleciona cédulas e moedas antigas. Hoje aposentado, há quatro anos realizou outro sonho, de ter o modelo original do Simca Chambord. O carro de 1961 foi restaurado e ficou pronto há poucas semanas.

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“Nunca mais esqueci aquele carro”
Arquivo Pessoal
Vale do Taquari
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Quando começou o seu gosto por colecionar dinheiro antigo?

Começou na infância. Naquela época, o dinheiro mudava muito rápido, então quando uma nota parava de circular, meu pai dava as que ele “perdia” para mim e para o meu irmão, e nós guardávamos. Como somos de origem portuguesa, também tínhamos curiosidade de descobrir mais. Meu irmão, como o mais velho, sempre dava os primeiros passos e eu ia atrás.

O que você tem na sua coleção?

Minha coleção inicia com o Réis Republicano, que circulou no Brasil de 1889 até 1942. Também tenho notas de Cruzeiro Novo, Cruzados e Cruzeiro Real, todas que circularam de 1942 até hoje. Minha cédula preferida é a de 5 mil Cruzeiros, que foi utilizada em 1967 e tem Tiradentes como estampa.

Também tenho coleção de moedas antigas, inclusive, uma delas é o “patacão”, da época do Réis Português, moeda de Portugal ainda, do século XVI. Nas Olimpíadas de 2016, fizeram algumas versões da moeda de um real, com os esportes, tenho todas essas. Também tenho cédulas da Holanda, Uruguai, Argentina, Emirados Árabes, Inglaterra e vários outros países.

Além das cédulas e moedas, você também tem um Simca Chambord, original de 1961. Conte quando a sua paixão pelo modelo começou.

Nunca vou me esquecer do dia em que vi um Simca pela primeira vez. Eu tinha 14 anos e estava caminhando para a escola. Nós morávamos a uns seis quilômetros de distância, então, sempre ficávamos na expectativa de que alguém nos desse carona. Um dia, o motorista de um Simca Chambord amarelo ofereceu. Lembro de que fiquei espantado com o conforto e a beleza do veícuço. Ali eu decidi que queria um carro assim, nunca mais esqueci.

Quando você conseguiu o Simca Chambord?

Eu queria que fosse original, então levou bastante tempo. Em 2018, encontrei um modelo em Balneário Camboriú e fui, junto com o guincho, buscar o carro. Tive que reformar todo o motor, fazer a iluminação de novo, a elétrica. Depois, mandei fazer a pintura original e encapei os bancos. O restauro durou quatro anos e o carro ficou pronto no mês passado. Já tem até a placa preta, dos carros de colecionador.

Na sua família, alguém mais tem o hobby de colecionar notas ou carros antigos?

Hoje, só eu e o meu irmão nos dedicamos a isso. Ele tem uma coleção de cédulas igual a minha. Quando descobre uma nota, ele me avisa, e vice-versa. Nós encontramos a maioria dessas cédulas com colecionadores da fronteira com o Uruguai. Temos contato também com vendedores que circulam o Brasil inteiro em busca de dinheiro antigo.


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