Capacidade duplicada, mas ainda insuficiente

20 ANOS DA 2ª PONTE

Capacidade duplicada, mas ainda insuficiente

Há duas décadas, travessia sobre o Rio Taquari, no sentido Capital/Interior, era inaugurada. Saturação da rodovia e dependência da estrutura aponta necessidade de uma nova passagem na região. Dois projetos foram levados a Brasília em agosto

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Capacidade duplicada, mas ainda insuficiente
No primeiro semestre, explosão escancarou dependência da região à ponte do rio Taquari (Foto: Arquivo A Hora)
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

Uma tarde ensolarada marcou, há 20 anos, a inauguração da segunda ponte sobre o rio Taquari, na BR-386. Foram pouco mais de três anos de trabalho até a conclusão da estrutura, no quilômetro 348, sentido Capital/Interior. A travessia duplicou a capacidade de tráfego da rodovia à época. Mas, passadas duas décadas, já está novamente saturada.

A explosão de um caminhão na ponte sobre o Arroio Boa Vista, em março deste ano, reforçou a necessidade de uma nova passagem na região. Foram quase dois meses de transtornos diários à comunidade. Mesmo com a liberação do trecho ocorrendo antes do previsto, líderes seguem mobilizados para viabilizar a nova estrutura. Resta saber onde será erguida.

Pelo menos duas propostas foram apresentadas em Brasília no mês passado para a construção de uma nova ponte ao Vale. A primeira delas, entre Arroio do Meio e Colinas, foi levada pelos prefeitos dos dois municípios. A ideia é que o trajeto se torne um caminho alternativo entre a Serra Gaúcha, o Vale do Taquari e Porto Alegre, com potencial de reduzir o fluxo de veículos da BR-386.

A outra proposta é a construção de um anel viário, entre a Trans Santa Rita, em Estrela, e a localidade de São Rafael, no interior de Cruzeiro do Sul. O ofício, encaminhado por entidades da região, pede ao governo federal que assuma o projeto executivo da ligação entre as duas cidades e o posterior custeio da obra.

Incumbência do RS

Uma das propostas foi encaminhada ao Ministério da Infraestrutura por meio de ofício assinado por duas entidades: a Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT) e a Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil).

A ideia era incluir a obra entre Estrela e Cruzeiro do Sul no pacote de concessão das rodovias estaduais, com recursos federais. Segundo o presidente da CIC-VT, Ivandro Rosa, neste momento o governo federal não tem como ajudar. “Pelo ofício, responderam que seria de incumbência do Estado fazer os estudos iniciais”, afirma.

Neste momento, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) está elaborando os estudos de viabilidade técnica da nova ponte. Enquanto isso, conforme Rosa, a conclusão da pavimentação da ERS-129, entre Colinas e Roca Sales, pode servir como alternativa para desafogar o trânsito da Serra até a região.

“A situação já nos favorece. Não é um sistema ideal, mas é o que se pode fazer com os recursos que dispomos”, aponta. Engenheiro civil, Rosa lembra é necessário um longo caminho a ser percorrido para que a nova ponte saia do papel. “Qualquer empreendimento tem que ter estudo técnico, projeto, orçamento e viabilidade para depois se falar em obras”.

Três anos de obras

Um mini palanque foi montado no começo da nova ponte, em Estrela, para marcar a inauguração da obra em 14 de setembro de 2001. Ministro dos Transportes à época, o gaúcho e ex-deputado Eliseu Padilha esteve presente na cerimônia, que reuniu também autoridades da região e do Estado. Uma mostra da importância daquele trecho não só para a economia regional, mas também para o RS.

A construção da ponte foi feita com recursos federais, executada pela empresa M. Martins Engenharia e Comércio. O investimento total foi de R$ 8 milhões e os trabalhos iniciaram em 30 de maio de 1998, com a implosão da antiga estrutura sobre o rio Taquari. A reconstrução iniciou em 1999.

Não houveram paralisações na obra, mas em alguns momentos, por falta de repasses e de pessoal, o ritmo foi lento. A média era de 80 funcionários trabalhando na construção. Com 262 metros de extensão, foram utilizados 3,3 mil metros cúbicos de concreto e 340 toneladas de ferro na ponte.

Duplicação após 17 anos

Durante a visita à Lajeado e Estrela para inauguração da ponte, o então ministro Eliseu Padilha anunciou que a duplicação entre Estrela e Tabaí sairia do papel. À época, apenas os trechos de Lajeado a Estrela e de Tabaí a Canoas contavam com duas pistas na BR-386.

“Padilha anuncia conclusão”, foi a manchete de O Informativo do Vale, em 15 de setembro. Conforme a reportagem da época, o projeto de duplicação da BR-386 já estava quase pronto e que seria aberta licitação até o fim de 2001 para escolha da empresa responsável pela construção.

Contudo, a comunidade regional esperou quase uma década pelo começo das obras. Foi somente em 2010, já com outra gestão no governo federal, que as máquinas começaram a trabalhar no trecho entre Estrela e Tabaí. Marcada por atrasos, paralisações e impasses com indígenas, a obra foi entregue em 2018, com um custo muito maior do que o projetado.

Primeira ponte

A primeira ponte sobre o rio Taquari foi inaugurada em 20 de setembro de 1962. O então governador do RS, Leonel Brizola, esteve presente. Na época, a BR-386 estava em construção e se chamava Rodovia Presidente Kennedy, devido ao projeto final de engenharia e execução terem sido acompanhados por técnicos norte-americanos.

Problemas estruturais acompanharam a ponte, com seguidas interdições, até a interrupção definitiva, em julho de 1994. A partir daí, iniciou-se a construção da nova ponte, dentro do projeto de duplicação de Lajeado a Estrela. A inauguração ocorreu em 11 de março de 1995.