Dados e fatos

opinião

Sérgio Ricardo Sant'Anna

Sérgio Ricardo Sant'Anna

Professor da Faculdade La Salle

Assuntos e temas do cotidiano

Dados e fatos

Por

Vale do Taquari
Imec - Lateral vertical - Final vertical

Bancos de dados são tão importantes para o mundo de hoje que são capazes de erguer e também destruir pessoas comuns, políticos, países, mercados e até mesmo as maiores corporações do planeta. Não à toa, uma das mais complexas e transformadoras leis que vem sendo colocada em prática no ocidente é a de proteção de dados. Na Irlanda, o Twitter foi a primeira empresa a receber multa (de R$ 2,8 bilhões) por violar a lei geral europeia e, em julho passado, nos Estados Unidos, Google, Apple, Facebook e Amazon foram confrontadas pelo congresso para explicar como constroem seus bilhões de dólares e o crescente monopólio nas áreas em que atuam. A resposta: poder econômico. E dados.

Estabelecer limites é regra comum em todo processo de formação, para que assim possamos identificar avanços, crescimento e resultados. Em termos mundiais, isso só acontece quando há um rompimento, algo que designe o ponto zero. No caso das leis de proteção de dados, sem dúvida, foi o vazamento de informações pessoais de 87 milhões de usuários do Facebook usadas pela consultoria Cambridge Analytica para direcionar conteúdo na primeira campanha de Donald Trump. O estouro da bolha imobiliária americana em 2008 foi outro marco, que gerou o redesenho da governança e estabeleceu as políticas de compliance, para se evitar desvios e inconformidades na gestão de empresas e instituições.

As guerras costumam ser divisores de águas. Após o maior conflito armado que já tivemos no mundo (1939-1945), houve a criação e uma nova ordem mundial. A Segunda Grande Guerra dividiu o mundo em dois blocos e a fundação de instituições como a ONU foram fundamentais para regular os movimentos de equilíbrio e tomada de poder desde então. A guerra contra a Covid-19 está longe de se igualar aos 60 milhões (ou 80 milhões, segundo alguns) de mortos na Guerra. Mas, convenhamos, com todos os avanços que tivemos nos últimos 70 anos, encarar a morte de mais de 1 milhão e setecentas mil pessoas não é nada agradável.

Pessoas famosas, anônimos, conhecidos, parentes, entes queridos… não podemos tratar com indiferença ou casuísmo o que acontece no mundo – e também aqui ao nosso lado.

O mínimo que podemos fazer é pensar. Melhor ainda, se pudermos agir. O ano de 2020 terá servido para nos mostrar o quanto ainda somos frágeis enquanto humanidade, que nosso direito de ir e vir pode sim ser cancelado e que há muitas pessoas, muitas pessoas mesmo, que precisam de apoio e orientação. Que talvez não baste apenas a sua felicidade para que “esteja tudo bem”. Que o outro existe, que ele não é tão invisível assim, principalmente, quando se trata de uma pandemia e que qualquer um de nós pode ser um vetor da doença.

Líderes globais estão se organizando para debater, em janeiro, no Fórum Econômico Mundial, quais mudanças podem ser estabelecidas a partir da pandemia, que venham renovar e atualizar as conexões com todos os segmentos da sociedade. E até mesmo redesenhar o capitalismo. O encontro será virtual e haverá acesso para pessoas de todo o mundo que desejem acompanhar os debates. Será importante que o Brasil participe das discussões. Precisamos amadurecer e nos posicionar como a grande nação que somos. Dados e fatos são importantes e temos que levar isso em conta. Não queremos ser só o país do samba, nem de bananas, nem de jacarés.

Bom 2021 para todos. Saúde!