A pior das consequências

opinião

Ney Arruda Filho

Ney Arruda Filho

Advogado

Coluna com foco na essência humana, tratando de temas desafiadores, aliada à visão jurídica

A pior das consequências

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A Covid atingiu o país e o mundo em momento crítico. A frase, de uma lógica absurda, foi dita pelo líder global em estratégia e liderança da PricewaterhouseCoopers, Blair Sheppard. Sim, é assim mesmo que se escreve o nome da empresa, tudo junto. Pra quem não conhece a PwC, trata-se de um gigante mundial na área de auditoria, atuando em praticamente todos os países. Daí a razão dos caras lançarem um olhar sobre as consequências da pandemia nas mais diferentes realidades sociais. Para líder, a polarização e a perda da confiança nas instituições são fenômenos mundiais, mas especialmente preocupantes no Brasil. Sem confiança em quem está no comando, fica mais difícil para o país enfrentar um inimigo novo, desconhecido e cruel. A realidade local não é diferente. “Se líderes não conseguem unir a população, como você resolve os outros problemas? Se não há confiança nas instituições, por onde começar?”

Pois bem, a gente não é tão global, mas pode tentar localmente responder a essas perguntas, a partir da nossa realidade, mirando nossas barrancas tão assoreadas e judiadas pela ação do homem e da própria natureza. Curar algumas “fraturas” e deixar de lado os populismos pode ser um bom começo. Os medos, o de adoecer ou morrer de Covid em contraposição com o de perder o emprego em colapso econômico, não podem ser radicalizados. A frase já foi dita e repetida inúmeras vezes: se puder, fique em casa! Se precisa trabalhar, mantenha o distanciamento, use máscara e não descuide da higiene. O cara da PwC fala que a gente tem que adotar uma postura mais “localista de espírito global”. Ser localista é saber que, por aqui, nossas autoridades estão atentas e as pesquisas apontam que o contágio se multiplica em razão das aglomerações, nos parques, nas canchas de bocha e em outros locais onde a galera se descuida. Se já temos essa informação, que é bem nossa e foi resultado da dedicação e do empenho das nossas autoridades em saúde, ela aponta um caminho seguro.

Ficam, então, as sugestões. Se o prefeito pede pra ficar em casa, quem puder fique em casa, especialmente evitando as aglomerações e os agradáveis encontros de amigos, ao menos por mais algum tempo. Mais um pouquinho. Se depois de um baita embate das entidades empresariais com o governador, ele flexibiliza as restrições e permite a abertura do comércio com horário reduzido, o setor deve ouvir seus líderes e trabalhar em horário reduzido, adotando uma atitude positiva em prol da preservação do nosso comércio. Não compensa mais um confronto, mais uma polarização, com risco de novas fraturas. O retorno das restrições extremas é a pior das consequências. Se a gente já abraçou as mães à distância, vamos agora abraçar nossos pais. Ano que vem vai ser diferente.