A busca pelo emagrecimento às vezes se torna uma batalha tortuosa por conta de uma barreira silenciosa: a inflamação associada ao excesso de gordura corporal. Ela pode agravar a resistência à insulina, alterar mecanismos de fome e saciedade, reduzir a disposição e facilitar o acúmulo de gordura em outros órgãos.
O nutrólogo e diretor do Instituto Nutels, Márcio Nutels, explica que isso acontece porque a gordura não é apenas uma reserva de energia, mas um tecido metabolicamente ativo, capaz de produzir hormônios e substâncias que afetam todo o organismo.
“Quando as células de gordura aumentam, elas podem sofrer alterações e liberar sinais que atraem células do sistema imunológico. Isso aumenta a produção de substâncias inflamatórias e gera uma inflamação crônica de baixa intensidade”, esclarece.
Forma-se, então, um ciclo: o aumento da gordura favorece a inflamação e as alterações metabólicas decorrentes dela podem dificultar o controle do peso.
Os impactos no organismo
A inflamação associada ao excesso de gordura também pode prejudicar progressivamente o funcionamento de diferentes órgãos. Está relacionada a diabetes tipo 2, gordura no fígado, alterações no colesterol e nos triglicerídeos, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Além das alterações metabólicas, esse processo pode vir acompanhado de maior cansaço, pior qualidade do sono e menor disposição para realizar atividade física.
Como identificar
Muitas vezes, essas alterações não provocam sintomas nas fases iniciais. Por isso, a avaliação deve combinar história clínica, exame físico, composição corporal e exames laboratoriais. Entre os principais parâmetros estão circunferência abdominal, pressão arterial, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, colesterol, triglicerídeos e enzimas hepáticas.
Dependendo do caso, também pode ser necessário avaliar insulina, marcadores inflamatórios e realizar exames de imagem do fígado.
Como encerrar o ciclo?
“Romper esse ciclo exige uma abordagem ampla, envolvendo alimentação, exercício, sono, controle do estresse e, quando necessário, tratamento médico”, ressalta Nutels. A redução da gordura corporal, especialmente
da gordura visceral, costuma melhorar a sensibilidade à insulina, o controle da glicose, os triglicerídeos, a pressão arterial e a quantidade de gordura acumulada no fígado.
Com isso, também ocorre redução dos sinais inflamatórios produzidos pelo tecido adiposo.
Mesmo uma perda de peso moderada já pode gerar benefícios metabólicos importantes. No entanto, o objetivo não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas reduzir gordura preservando ou aumentando a massa muscular.