A Rede de Saúde Divina Providência confirmou ontem o encerramento da Unidade de Saúde Mental do Hospital Estrela. O serviço encerra as atividades em 31 de outubro, após mais de um ano de discussões entre a instituição, o Governo Municipal e a 16ª Coordenadoria Regional de Saúde.
Atualmente, a unidade conta com dez leitos destinados à internação em saúde mental. Destes, sete recebem recursos da Secretaria Estadual da Saúde e três do Ministério da Saúde. Segundo a Rede Divina Providência, a reorganização não reduz a oferta regional de vagas, pois novos leitos passam a integrar outras instituições hospitalares. Apesar da garantia apresentada pelo hospital, o comunicado não informa quais hospitais recebem esses leitos, quantas vagas cada instituição passa a oferecer nem quando essa reorganização ocorre.
A instituição classifica a decisão como “técnica, planejada e consensuada”. Segundo a nota, o encerramento integra um processo de reorganização da rede assistencial e concentra investimentos em especialidades consideradas estratégicas para o Hospital Estrela. O documento também afirma que a assistência aos pacientes permanece garantida por meio da redistribuição das internações para outros serviços da região.
O anúncio confirma uma discussão acompanhada pelo município desde o início deste ano. Em 10 de fevereiro, a Secretaria Municipal da Saúde encaminhou ofício à 16ª Coordenadoria Regional de Saúde manifestando preocupação com a possibilidade de encerramento da unidade e defendendo a permanência dos leitos em Estrela.
Município tentou manter leitos
O secretário municipal da Saúde, Silas Alves, afirma que a administração buscou alternativas para manter a unidade em funcionamento, mas a definição não cabia ao município. “Tentamos reverter essa decisão desde o início das discussões. No entanto, não depende da prefeitura, porque estamos falando de um serviço hospitalar de alta complexidade e referência para toda a região. A decisão envolve o hospital, o Estado e a Coordenadoria Regional de Saúde”, afirma.
Segundo Alves, desde que tomou conhecimento da intenção de encerrar o serviço, o município participou das tratativas e apresentou oficialmente a posição favorável à permanência dos leitos no Hospital Estrela. O secretário ressalta que a prefeitura não administra os leitos hospitalares nem responde pelo financiamento da unidade. Conforme explica, as internações são reguladas pelo Sistema Estadual de Regulação de Internações Hospitalares (Gerint), responsável pela distribuição das vagas entre os hospitais habilitados.
Após a divulgação do comunicado, surgiram dúvidas sobre possíveis impactos na rede municipal de atendimento em saúde mental. Conforme Alves, o encerramento atinge exclusivamente a unidade de internação do Hospital Estrela. O Centro de Atenção Psicossocial permanece em funcionamento normalmente, assim como o Serviço de Atendimento Especializado, referência regional instalada no município.
O secretário afirma que houve confusão nas redes sociais entre os diferentes serviços oferecidos na área da saúde mental e reforça que não existe qualquer previsão de fechamento dessas estruturas municipais.
Conforme dados da Secretaria Municipal da Saúde, a rede municipal realizou 15,8 mil atendimentos relacionados à saúde mental ao longo de 2025, média de aproximadamente 1,3 mil por mês. Já o Serviço de Atendimento Especializado acompanha cerca de 600 usuários mensalmente.
