A elevação do Rio Taquari obrigou moradores de Cruzeiro do Sul a deixarem as casas às pressas durante a madrugada. Até o fim da manhã, quatro famílias estavam abrigadas no ginásio do Centro do município. A maior parte é do bairro Zwirtes. Outras sete já pediram apoio para sair das residências, e a administração estima que o número de acolhidos possa chegar a 15.
Entre os casos acompanhados pelo município estão moradores de São Miguel. Entre elas está Cristiane dos Santos, 47. “Até a tarde de ontem não havia alerta de inundação para a comunidade. Na madrugada nós ligaram e disseram que precisávamos sair”.
O aviso foi devido ao bloqueio da estrada. Com risco de ficarem ilhados, deixaram as casas apenas com a roupa do corpo.
“Foi um choque. Todas as lembranças de maio de 2024 voltaram. Agora, nossa esperança é para que não chegue em 26 metros”.
Neste nível, a água atinge a casa. “Perderíamos tudo de novo.”
A situação, diz, é mais tranquila do que na comparação com as inundações históricas, ainda assim, o trauma permanece. “Em maio, ficamos três dias em cima do telhado. Sem água, sem comida. Minha mãe e meus tios estavam em uma casa que foi levada pela correnteza. Perdemos tudo, mas a dor maior é pela vida dos meus familiares.”

Foto: Filipe Faleiro
Falha no monitoramento
O prefeito César Marmiti criticou o monitoramento da Defesa Civil Estadual. Segundo ele, os alertas precisam ser mais precisos para as inundações, de forma a garantir tempo hábil para retirada das famílias, dos móveis e dos pertences com caminhões.
Para o município, a falta de antecedência dificultou a organização das comunidades atingidas. A administração mantém o ginásio como ponto de acolhimento e acompanha novos pedidos de retirada ao longo do dia.
