As chuvas registradas nas principais regiões produtoras de café passaram a influenciar o mercado em junho, dificultando o avanço da colheita da safra e interrompendo a trajetória de queda dos preços observada no início do mês. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o aumento da oferta pressionou fortemente as cotações do arábica nos primeiros dias de junho. Entre 1º e 9 de junho, o indicador da variedade caiu de R$ 1.533,85 para R$ 1.383,57 por saca, acumulando desvalorização de cerca de 9,8%.
A partir do dia 10, porém, o movimento se inverteu. As precipitações nas áreas produtoras reduziram o ritmo dos trabalhos no campo e limitaram a disponibilidade do produto no mercado. Com isso, os preços voltaram a subir, alcançando R$ 1.474,18 por saca na última terça-feira, dia 16.
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Apesar da recuperação recente, as cotações ainda permanecem abaixo dos níveis observados no início de maio, quando a saca era negociada a R$ 1.759,77. A diferença representa uma retração de aproximadamente 16,2% no período.
Além de atrasar a colheita, as chuvas preocupam produtores e compradores pela possibilidade de comprometimento da qualidade dos grãos. Segundo o Cepea, agentes do setor têm relatado cafés com peneira e padrão de qualidade inferiores aos da safra passada, mesmo diante das projeções oficiais que indicam produção recorde em 2026/27.
No caso do café robusta, o cenário é diferente. Os preços seguem mais firmes em comparação ao arábica, sustentados pelas estimativas de uma safra menor que a registrada na temporada anterior. A menor oferta da variedade mantém o mercado aquecido e reduz a pressão sobre as cotações.
