Gravidez na adolescência diminui, mas ainda afeta milhares de brasileiras

Pessoas e Bem-estar

Gravidez na adolescência diminui, mas ainda afeta milhares de brasileiras

Em 2024, mais de 273 mil bebês nasceram de mães com até 19 anos no Brasil; ginecologista e obstetra Mariana Caselli explica por que informação qualificada, orientação médica e acesso à contracepção seguem fundamentais para prevenção

Gravidez na adolescência diminui, mas ainda afeta milhares de brasileiras
Métodos contraceptivos desempenham papel fundamental na prevenção da gravidez não planejada (Foto: Envato)
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A adolescência é uma fase marcada por descobertas, transformações e pela construção dos primeiros projetos de vida. Quando uma gravidez acontece nesse período, além das mudanças físicas e emocionais próprias da gestação, jovens e famílias passam a lidar com desafios relacionados à saúde, à educação, à vida social e às perspectivas para o futuro.

Embora os indicadores tenham apresentado melhora nos últimos anos, a gravidez na adolescência segue como uma questão relevante de saúde pública no Brasil. Em 2024, o país registrou 273.213 nascimentos de mães com até 19 anos. Desse total, 12.004 bebês eram filhos de meninas entre 10 e 14 anos. Os dados constam no relatório Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2026, da Fundação Abrinq.

A redução dos casos é perceptível. Enquanto em 2019, 14,7% dos nascimentos registrados no país eram de mães adolescentes. Em 2024, esse percentual caiu para 11,4%. Apesar do avanço, a ginecologista e obstetra Mariana Caselli (CRM 51472 / RQE 47700) ressalta que o tema continua exigindo atenção, especialmente no que se refere ao acesso à informação de qualidade.

“Muitos adolescentes chegam à consulta já conhecendo alguns métodos contraceptivos, mas também carregam dúvidas e mitos que circulam nas redes sociais. Por isso, a educação em saúde continua sendo fundamental para acesso a conhecimento confiável, capaz de orientar escolhas mais seguras e conscientes”, afirma.

Métodos contraceptivos

Os métodos contraceptivos desempenham um papel fundamental na prevenção da gravidez não planejada e na promoção da saúde sexual e reprodutiva. Hoje, existem diferentes opções disponíveis, como preservativos, pílulas anticoncepcionais, injeções hormonais, implantes subdérmicos e dispositivos intrauterinos (DIU).

Segundo Mariana, o mais importante é compreender que não existe um método ideal para todas as adolescentes. A escolha deve considerar o estilo de vida, as preferências, as condições de saúde e as necessidades de cada pessoa.

“Antes de decidir, vale buscar orientação profissional para conhecer as opções disponíveis e escolher aquela que ofereça mais segurança e tranquilidade no dia a dia. Além de iniciar um método contraceptivo, o ideal é contar com um profissional que acompanhe todo esse processo”, explica.

Vantagens e desafios

Cada método apresenta benefícios e limitações. Os métodos de longa duração, como o implante e o DIU, oferecem alta eficácia e não dependem da lembrança diária da usuária. Já métodos como a pílula anticoncepcional exigem uso regular para garantir a proteção adequada.

O preservativo ocupa um papel único entre os métodos contraceptivos. Além de prevenir a gravidez, é o único capaz de reduzir o risco de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Por isso, seu uso continua sendo recomendado mesmo quando associado a outros métodos.

A especialista também destaca que os anticoncepcionais não são utilizados apenas para evitar a gestação. Em muitos casos, eles auxiliam no controle do fluxo menstrual, das cólicas, da acne e de outras condições que podem impactar a qualidade de vida das adolescentes.

Saúde sexual

Para Mariana, a contracepção faz parte de um contexto muito mais amplo. Falar sobre saúde sexual também significa abordar autocuidado, autoconhecimento, prevenção de infecções, respeito aos próprios limites e a capacidade de tomar decisões informadas.

“Quanto mais cedo esses temas forem discutidos de forma clara, responsável e sem julgamentos, maiores serão as chances de formar jovens conscientes e preparados para cuidar da própria saúde”, ressalta.

Acompanhamento médico

O acompanhamento médico é fundamental durante todo o processo de escolha e adaptação ao método contraceptivo. Sangramentos intensos, efeitos colaterais persistentes, dificuldade para utilizar corretamente o método ou insatisfação com a opção escolhida são situações que merecem uma nova avaliação.

“O acompanhamento permite realizar ajustes sempre que necessário, garantindo mais segurança, conforto e tranquilidade para a adolescente ao longo dessa fase”, conclui Mariana.

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