Ciamed: há mais de duas décadas conectando saúde e desenvolvimento

O MEU NEGÓCIO

Ciamed: há mais de duas décadas conectando saúde e desenvolvimento

Liderada por Renata Galiotto, organização nasceu de uma iniciativa empreendedora e se tornou referência na distribuição de medicamentos e materiais hospitalares

Ciamed: há mais de duas décadas conectando saúde e desenvolvimento
Renata Galiotto participou do O Meu Negócio dessa segunda-feira, 1º. (Foto: Deivid Tirp)

Fundada em 28 de julho de 2003, em uma pequena sala no quarto andar do prédio Loja Beneduzzi, em Encantado, a Ciamed Distribuidora de Medicamentos transformou uma ideia ousada em uma das maiores empresas da parte alta do Vale do Taquari. Liderada por Renata Casagrande Galiotto, a organização está entre as maiores empresas do município, emprega mais de cem colaboradores e possui atuação nacional, com unidades também em Porto Alegre, São Paulo, Santa Catarina e Espírito Santo.

A história da empresa começou quando Renata cursava Optometria na Ulbra. Durante a elaboração do trabalho de conclusão de curso, recebeu de um professor a sugestão que mudaria sua trajetória profissional. Já atuando junto a secretarias municipais de Saúde com a venda de óculos, ela identificou uma oportunidade no setor farmacêutico. Com um investimento inicial de R$ 35 mil, um computador usado, o apoio de um colega de trabalho e muitas folhas de papel, nasceu a Ciamed.

Nos primeiros anos, a distribuidora atuava principalmente com medicamentos de grande volume para o setor público. Com o passar do tempo, porém, a empresária percebeu a necessidade de buscar novos caminhos. A estratégia foi migrar para segmentos especializados, estabelecendo parcerias com multinacionais e ampliando a atuação. O processo exigiu persistência e construção de credibilidade em um mercado altamente competitivo.

Ao longo de mais de duas décadas, a empresa consolidou sua presença nacional e manteve o propósito de promover saúde de forma responsável por meio da distribuição de medicamentos em todo o território brasileiro. Atualmente, atende licitações públicas, hospitais, operadoras de saúde e clínicas médicas, sempre pautada por princípios de ética, responsabilidade corporativa e compromisso com os pacientes.

Para Renata, um dos diferenciais da Ciamed está justamente na valorização das pessoas. Em um setor frequentemente associado a processos e números, a empresa busca colocar o ser humano no centro das decisões. Essa visão também se reflete na cultura interna, que estimula a participação dos colaboradores nos resultados, incentiva o crescimento profissional e aposta em um ambiente de trabalho mais colaborativo e inovador. Mais do que distribuir medicamentos, a Ciamed construiu uma trajetória marcada pela capacidade de se reinventar, crescer e gerar oportunidades.

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Entrevista
Renata Casagrande Galiotto – CEO da CIAMED

“Ali morreu uma Renata
e nasceu outra”

Wink – Tu sempre foi uma pessoa que te envolveu com a comunidade. O que te dá esse prazer de ser uma liderança tão importante e se envolver?

Renata – É uma forma de gratidão. Eu escolhi Encantado para morar e a região me abraçou. Ser abraçada é se sentir bem-vinda, valorizada, é quando você tem necessidade de algo e é escutada e atendida, na medida do possível. Você vê que as pessoas confiam em você e vê que elas enxergam em você uma esperança de mudança, alguém que possa representá-las e ser a porta voz. Então, essa confiança que as pessoas te transferem faz com que você não as decepcione e faz com que, de fato, você queira fazer a diferença na vida delas e do meio empresarial. Sempre dentro de um propósito e linha de postura, dentro daquilo que você julga que é correto e ético.

Essa característica é da tua natureza, ou o ambiente familiar te moldou a ser desta forma?

Sou de Vespasiano Corrêa, meus pais são agricultores. Meu pai vai fazer 85 e a mãe tem 81 anos. Naqueles tempos não tinha a tecnologia que tem hoje. Plantávamos com a maquininha e enxada. Não era como hoje que se passa maquinários e defensivos. Eu nasci lá e me criei lá. Sou a mais velha e meus pais nunca tiveram dinheiro à vontade. Sempre trabalharam muito e nos cobraram para manter os valores. Eu estudei no colégio em Vespasiano e, segundo minha madrinha de crisma, eu sempre disse que ia sair da pobreza, que aquilo não era mundo para mim. Sempre tive uma personalidade extremamente forte e nunca me conformei com o não. Então, foi um muito natural.

Fui para Guaporé estudar onde me formei professora. Depois fui a Porto Alegre, estudar direito. Eu não tinha dinheiro e meu maior trauma, até hoje, é passar fome. Tive uma vida muito dura. Lembro-me do ônibus da empresa Leal, que saía de Guaporé, passava por Vespasiano e ia a Porto Alegre. Um dos motoristas me dava carona para vir para casa buscar comida. Ele esperava o fiscal da rodoviária passar e eu entrava escondida para sentar no degrau debaixo. O motorista tinha medo de levar multa. Quando saíamos, eu sentava na frente. Vinha para casa buscar comida e ele não me cobrava nada. Voltava à capital, mas agora com o ônibus lotado, então eu ia em pé, com a comida na sacola. Meu pai e minha mãe não tinham muito, mas me davam o que precisava por uns 15 dias.

Como o assunto “saúde” entrou na tua vida?

Eu comecei com óticas. Meu primeiro emprego foi em um atacado de óticas, em Porto Alegre, que vendia para o estado. Era uma distribuidora. Mas eu sempre falava que não nasci para ser mandada. Então, foi meu único emprego. Lá surgiu a oportunidade de comprar uma ótica no nono andar de um prédio na Voluntários da Pátria. Quem conhece Porto Alegre sabe a loucura que fiz, mas não me dei por vencida. Conheci meu marido, engravidei e tive gêmeas. Foi uma fase muito difícil da minha vida, pois fiquei quase 160 dias internada direto. Uma filha faleceu. A Gabriele ficou mais 75 dias na UTI Neonatal, ela pesava 1,6kg com dois meses. Voltei para Encantado, tive que vender tudo que eu tinha, porque havia colocado a pequena na UTI particular e precisava pagar tudo. Não foi fácil. Mas teve um fato que foi determinante na minha vida, que foi quando minha filha faleceu. A primeira das meninas que peguei no colo foi minha filha morta. Não sei dizer se foi um anjo ou o que, mas algo no meu ouvido me disse: “olhe bem para sua filha, você poderia ser a dona do mundo, ter o que quisesse aos seus pés, mas nada a traria de volta”. Aquilo me deu um choque de realidade tão grande. Ela me ensinou a maior dor, mas também trouxe o maior aprendizado da minha vida. Ali morreu uma Renata e nasceu outra. O sofrimento nunca me desanimou, ele sempre me transformou.

Confira entrevista na íntegra

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