O Rio Grande do Sul registrou mais de 600 mil multas por “evasão de pedágio” durante o ano de 2025 nas rodovias pedagiadas com o modelo free flow (cobrança automática e sem cancelas). Diante do barulhento número, o Ministério Público de Porto Alegre abriu inquérito para verificar a legalidade dessas milhares de cobranças posteriores. Para contextualizar, é bom explicar que todo motorista possui um prazo de até 30 dias (após passar pelo pórtico) para quitar o valor do pedágio – se ele instalar a popular tag no para-brisa, a cobrança é automática e a preocupação é nula. Passado o período de 30 dias, e em caso de não pagamento, o Estado aplica multa e retira pontos da CNH. É simples assim. Pois bem. O número de 600 mil multas impressiona, sim, mas já se trata de uma minoria. Nos mesmos 12 meses do ano passado, por exemplo, a inadimplência média foi de 5,2%. Ou seja, 94,8% dos motoristas quitaram de forma regular o pedágio. Mesmo assim, não é prudente fazer de conta que não há um problema evidente. Há, sim, um problema evidente. E ele é óbvio: muitos motoristas ainda desconhecem o sistema, e muitos acham que “não vai dar nada”. Diante disso, cabe ao poder concedente e às concessionárias aperfeiçoarem as estratégias de comunicação e, também, de busca ativa dos devedores. Não deve ser tão difícil. Aliás, o mesmo deveria ser feito por quem gasta muito mais energia para brigar contra o inevitável avanço do Free Flow e das concessões. Em suma, eles deveriam gastar suas energias e prestígios para informar os motoristas.
OPERAÇÃO LAMAÇAL
Câmara de Lajeado calcula instaurar a CPI da Arki
A operação da Polícia Federal que investiga os últimos contratos firmados pelo governo de Lajeado com as empresas Arki e Plati não tem sido muito comentada no plenário da câmara de vereadores. É curioso. Mas, e isso ainda é incipiente e bem discreto, alguns representantes do povo já andaram comentando em público – e nos bastidores – sobre a possibilidade do Legislativo instaurar uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para verificar os mais diversos indícios apresentados pelo delegado e que possuem relação direta com os recursos do contribuinte. Resta saber se haverá interesses suficientes dentro do plenário para levar adiante tal movimento.
OPERAÇÃO LAMAÇAL
Vereadora admite erro e quer voltar à câmara
Ex-presidente da câmara de Encantado, a vereadora Joanete Cardoso (PSDB) foi afastada de forma cautelar por 60 dias do Legislativo em função de suposto envolvimento com negócios suspeitos da empresa Arki Serviços, que possui contrato vigente com o governo de Encantado. Joanete já prestou depoimento à Polícia Federal e, de acordo com o seu advogado, Ezequiel Vetoretti, ela percebeu e admitiu uma “incompatibilidade”. Em resumo, a vereadora que também é funcionária da Arki incorreu em uma norma prevista na Lei Orgânica do município que, em tese, impede vereadores de atuarem em empresas contratadas pelo poder público municipal. Ela já solicitou demissão da Arki para encerrar com a “incompatibilidade” e agora pretende retomar em breve à função de vereadora.
CPI DAS OBRAS
Qual foi o critério para nomeação dos fiscais?
É a pergunta que o secretário da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ainda aguarda da atual administração municipal de Lajeado. Em síntese, o vereador Ederson Spohr (MDB) quer saber qual é ou quais são os critérios definidos pela prefeita Gláucia Schumacher (PP) para a nomeação dos fiscais que deveriam ter fiscalizado melhor as 50 obras suspeitas na cidade, e cujas perícias realizadas por uma engenheira indicada pela Justiça aponta o pagamento indevido de R$ 680 mil.
Banco Master: à direita e à esquerda
O escândalo com tons de longa-metragem do Banco Master precisa unir eleitores da direita, da esquerda, da extrema-direita, da extrema-esquerda, moderados, pragmáticos e o escambau. Se o enredo conduzido ardilosamente pelo banqueiro Daniel Vorcaro não unir a população brasileira, é alto o risco do Brasil não realizar a necessária varredura nos ambientes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e, claro, de muitos refúgios de especuladores do mercado. Estamos diante de uma chance ímpar de surrar da vida pública (e privada) uma corja que pensa que o Brasil lhes pertence. Para isso, leitor, ignore quem tenta jogar a culpa no colo do outro espectro ideológico. Esqueça a conveniência e essa improdutiva polarização e compreenda a gravidade dos fatos. Essa bagaça tem as digitais de todos os polos políticos. É hora de exigir uma única verdade.
TIRO CURTO
- Prefeito de Sério e ex-presidente da Amvat, Moisés de Freitas (MDB) ficou muito incomodado com o fato da Famurs realizar a Assembleia de Verão em Torres no mesmo período da 3ª Festa da Pitaya. “A entidade precisa ser mais municipalista”, disparou.
- Eduardo Leite (PSD) confirmou as expectativas e lançou-se pré-candidato a presidente. Ou seja, ele vai pedir outra vez exoneração do cargo de governador antes do fim do mandato. A saída ocorre em abril. E quem assume, claro, é o vice e pré-candidato a governador, Gabriel Souza (MDB).
- Aliás, em recente entrevista para a Rádio A Hora, Gabriel Souza (MDB) normalizou o fato do Vale do Taquari contar com dois pré-candidatos a deputado estadual do MDB em uma mesma região. Para ele, claro, é muito bom.
- Prefeita de Lajeado, Gláucia Schumacher (PP) está contando os dias para encerrar o contrato com a Arki Serviços. E o edital de licitação para os serviços realizados hoje pela polêmica empresa terceirizada deve ser lançado em março ou mais tardar em abril.
