Mexer no vespeiro

Opinião

Caroline Lima Silva

Caroline Lima Silva

Assuntos e temas do cotidiano

Mexer no vespeiro

“Mexer no vespeiro” é uma expressão idiomática que significa se envolver em uma situação complicada, perigosa ou cheia de conflitos, que pode trazer problemas inesperados, como as picadas de uma colmeia de vespas, geralmente revelando segredos ou abordando temas polêmicos. É o ato de “cutucar” um problema que estava adormecido, com a certeza de que haverá reações, mas sendo necessário para expor a verdade ou promover uma mudança. Mas há um tipo de vespeiro que tem a ver com o plano emocional em se tratando de vespeiro interior, ou seja, aquilo que se chama gatilhos mentais e que reverberam no campo do sentimento.

Quantas são as vezes que se sente um desconforto interno, sentido, num primeiro momento, como sintoma corporal. Dores físicas, desconforto e confusão mental podem ser aspectos. No contexto simbólico, o vespeiro é associado a um local que deve ser evitado, um ambiente hostil e perigoso. É comum ouvir expressões como “não mexa nesse vespeiro” ou “você está entrando num verdadeiro vespeiro”. Essa associação se dá pela natureza agressiva das vespas, insetos temidos por sua picada dolorosa e capacidade de atacar em grupo quando se sentem ameaçadas. Assim, um vespeiro está sempre relacionado a uma situação instável e imprevisível, capaz de gerar conflitos e problemas. Entretanto, o conflito emocional é necessário que se mexa, através de técnicas de autoconhecimento, nos gatilhos e feridas emocionais, de um modo acolhedor, sensível e humanizado. Mas, sem dúvida, em algum momento deve-se olhar para as mazelas interiores, porque, somente assim, se consegue seguir em frente do processo de evolução.

Portanto, mexer no vespeiro, mais do que aspectos físicos, são os emocionais que possuem impacto na vida de relação, porque, acreditem, são esses aspectos que definem nossa personalidade, nossas escolhas e fortalezas para superar qualquer adversidade.

Somos feitos de vulnerabilidade, além de potência, sendo que aquela deve ser vista como uma ferramenta de transformação, porque é o que ela é. Dessa forma, mexer em “vespas” não é de todo ruim. É regenerativo. Curativo.

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