Como foi retornar ao Vale do Taquari, após mais de 10 anos, agora como piloto executivo?
Pousar no Vale do Taquari é sempre especial. Apesar de voar para lugares incríveis, o sentimento de lar permanece aqui, junto às lembranças da infância, a saudade das avós e a alegria de rever meu pai e irmã. Sobrevoar cidades como Colinas e Roca Sales me enche de orgulho pela coragem e dedicação do nosso povo. Lembro das minhas primeiras horas de voo, quando apenas acenava para a família. Hoje, como piloto executivo de uma das maiores empresas do Vale e do mundo no setor de proteína animal, sei que minha trajetória exigiu muita dedicação e paixão pelo voo. Embora sentir falta do Vale tenha sido difícil, cada pouso e decolagem aqui reafirma que todo esforço valeu a pena.
Quais foram os desafios e aprendizados na aviação executiva pelo Brasil e Américas?
Cada região do Brasil e das Américas traz desafios únicos que nos impulsionam a evoluir. Mesmo voando para o mesmo destino, enfrentamos variáveis como logística, clima, turbulências, queimadas e tráfego intenso. Aprendi que a segurança vai além da pilotagem, exigindo planejamento, decisões rápidas, preparo técnico e adaptação. Cada experiência reforça a importância da segurança operacional, atenção aos detalhes e trabalho em equipe, sempre visando conforto, eficiência e máxima segurança a bordo.
De que maneira suas raízes moldaram o profissional que és hoje?
Minhas raízes no Vale do Taquari são fortes: meu pai é de Colinas e minha mãe de Roca Sales. Crescer aqui me ensinou valores como ética, perseverança e amor pelo trabalho bem feito. Casado desde os 17 anos, pai de dois meninos e esperando o terceiro, carrego exemplos de dedicação e família. Viver neste lugar me mostrou que conquistas devem vir acompanhadas de humildade e gratidão. Esses princípios me guiam em cada voo, lembrando quem sou, de onde vim e o legado que quero deixar aos meus filhos.
Como os centros de treinamento contribuíram para sua trajetória na aviação?
Aeroclubes, escolas e cursos são essenciais para formar um piloto, mas é no trabalho prático que o aprendizado ganha valor. Para mim, o trabalho é o meio e a família, o objetivo. Lembro de uma lição de um empresário: “Não existe receita de sucesso; o segredo está nos bons ingredientes — coragem, disciplina, capricho e formação.” A vida não aceita ingredientes estragados: cada escolha importa, e é preciso manter integridade, foco e paixão para transformar conhecimento em resultados.
Como foi o reencontro com a família no retorno ao Vale do Taquari?
Após uma tentativa frustrada de pouso em Santa Cruz do Sul por mau tempo, aterrissei em Estrela, onde nunca havia pousado em 14 anos de voo. Rever minha família após mais de uma década foi indescritível, trazendo um profundo sentimento de dever cumprido e gratidão. Embora quatro horas no Vale pareçam pouco, esses momentos foram especiais. Abraçar meu pai e irmã e sentir a energia do lar tornou o reencontro inesquecível. Meus pais, de origem alemã e italiana, são exemplos de coragem e dedicação. Carrego seus conselhos em cada voo e encontro força em nossas conversas, especialmente no ensinamento de manter confiança e profissionalismo mesmo diante das adversidades.
De que forma teus pais inspiraram a carreira na aviação?
Educação e incentivo fizeram toda a diferença. Após o ensino médio, fiz ensino técnico, estagiei fora do Brasil e sempre valorizei o aprendizado, especialmente em alemão e inglês. Em casa, em São Paulo, os aviões são quase membros da família, com até apelidos. O amor pelas máquinas, cultura, valores e tradições do Vale do Taquari é único e ganha ainda mais valor de fora. Tenho muito orgulho de ser do Vale e levo essa identidade comigo em cada voo.
