Os episódios climáticos extremos e os impactos na comunidade, nas moradias e nos negócios, serão relembrados durante o Tá na Mesa de amanhã. Tradicional evento promovido pela Federação das Entidades Empresariais do RS (Federasul), a programação terá palestrantes do Vale do Taquari.
Conforme o presidente, Rodrigo de Sousa Costa, a programação foi elaborada como forma de relembrar as dores, aprendizados e a reconstrução dos municípios. “O Vale foi o epicentro de duas grandes inundações. Em setembro de 2023, tivemos uma amostragem do que estaria por vir. Passados dois anos, vemos que a região volta a ocupar um lugar de destaque na produção gaúcha.”
Em cima da característica do Vale, de ser uma região voltada ao associativismo, com perfil empreendedor e de valorização do trabalho, têm-se um indicativo de como a população enfrentou a crise climática e como está superando as adversidades.
Entrevista
Rodrigo Sousa Costa • presidente da Federasul
“Em meio a tanta tristeza, vimos despertar o melhor das pessoas”
A Hora – Dois anos depois da tragédia de setembro de 2023, qual o motivo da Federasul trazer líderes locais para debater a reconstrução?
Rodrigo Sousa Costa — O Vale foi o epicentro de uma catástrofe. Vidas se perderam, negócios foram destruídos, comunidades ficaram isoladas. Foi uma amostra do que ainda estava por vir, porque depois tivemos a sequência de inundações, inclusive a de maio do ano passado. Mas também foi naquele momento que emergiu uma característica muito própria da região: o espírito comunitário. O associativismo, a capacidade de articulação e de trabalho coletivo se sobrepuseram à dor. Dois anos depois, o Vale mostra ao estado e ao país que é possível transformar tragédia em exemplo de superação. Em meio a tanta tristeza, vimos despertar o melhor das pessoas.
Quais aprendizados esses dois anos deixam para o setor produtivo?
Costa — A tragédia nos deu noção de interdependência. Pequenos, médios e grandes negócios perceberam como precisam uns dos outros. Cada emprego gerado numa padaria, numa fábrica, num supermercado, está ligado à sobrevivência de toda uma cadeia. Isso ficou muito claro. A reconstrução não seria possível sem esse entendimento. O setor privado, ao lado da comunidade, tomou para si o protagonismo. Porque se ficássemos esperando apenas pelos recursos do Estado, sabíamos que a demora seria ainda maior. Foi a mobilização local que inspirou o estado inteiro.
Sobre esse protagonismo das comunidades. Como isso se materializou na prática?
Costa — Tivemos três momentos. Primeiro, a condição de vítimas, quando ainda estávamos no meio dos escombros. Depois, a superação, quando comunidades e empresários assumiram que precisavam reconstruir sem esperar pelos outros. E agora, o terceiro momento: a inspiração. Projetos como o Reconstrói nasceram dessa consciência de que a resposta viria da união. Isso fez aparecer os valores mais nobres: solidariedade, cooperação, esperança. É esse protagonismo que queremos destacar no Tá na Mesa.
