A cadeia produtiva da erva-mate cultivada em Ilópolis ganhou projeção internacional na última semana. Um estudo desenvolvido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi), em parceria com a Associação dos Produtores e Parceiros da Erva-Mate do Alto Taquari (Appemat), foi apresentado durante o Simpósio Latino-Americano e Caribenho de Pesquisa de Carbono do Solo, realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
A pesquisa analisou os fluxos de gases de efeito estufa em três diferentes sistemas de cultivo da erva-mate no município de Ilópolis: mata nativa, cultivo a pleno sol e cultivo sombreado entre araucárias. Os resultados mostram que o sistema sombreado apresentou o menor potencial de aquecimento global, destacando-se como uma alternativa ambientalmente sustentável e com capacidade superior de acúmulo de carbono no solo e na vegetação.
Segundo os pesquisadores do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA/Seapi), o cultivo sombreado não apenas reduz as emissões de dióxido de carbono equivalente (CO2e), como também reforça o papel da erva-mate como cultura estratégica no enfrentamento das mudanças climáticas.
Potencial descarbonizante da cultura
“É nesse contexto que a erva-mate entra, porque é uma cultura perene, com forte expressão no Estado, e seu manejo permite que ela retire mais carbono da atmosfera do que emite”, explicou Bruno Lisboa, pesquisador da área de solos da Seapi. “Nosso trabalho vem sendo desenvolvido há quase um ano, avaliando diferentes sistemas de produção — sombreado, pleno sol, mata nativa e áreas de grãos — para entender o quanto cada um emite e, principalmente, o quanto consegue armazenar carbono no solo, na madeira e nas folhas da planta. Os dados comprovam o potencial descarbonizante da erva-mate e podem subsidiar políticas públicas, já que cada região e tipo de solo influencia esse comportamento.”
Além dos benefícios ambientais, o pesquisador destaca que o acúmulo de carbono no solo está diretamente ligado à qualidade e saúde do solo, influenciando sua capacidade produtiva. “Quanto mais matéria orgânica, melhor a saúde do solo, e isso impacta diretamente no rendimento das lavouras”, acrescenta.
O estudo foi um dos quatro trabalhos apresentados pela equipe técnica da Seapi no simpósio, que reuniu cientistas de toda a América Latina e Caribe para discutir estratégias de mitigação dos impactos ambientais na agricultura. Os dados sobre a erva-mate de Ilópolis integram a agenda científica que antecede a COP30, conferência mundial do clima que será realizada em novembro, em Belém (PA).
A participação da Appemat reforça o compromisso da região alta do Vale do Taquari com práticas produtivas sustentáveis e com o protagonismo na construção de soluções climáticas a partir da agricultura. A entidade tem atuado ativamente no incentivo à pesquisa, valorização do conhecimento técnico e fomento ao cultivo responsável da erva-mate.


