“É o mínimo que posso fazer com  tanta ajuda que recebo na estrada”

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“É o mínimo que posso fazer com tanta ajuda que recebo na estrada”

Criador do projeto “Pedalando Culturas”, o uruguaio Felipe Rodrigues viaja de bike pela América do Sul. Com amigos na região, esta é a segunda vez que ele vem a Lajeado. Nas duas ocasiões, interrompeu os passeios para ser voluntário nas enchentes. Tanto em setembro de 2023 como agora, auxiliou na entrega de doações e, principalmente, na Cozinha Solidária da Univates

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“É o mínimo que posso fazer com  tanta ajuda que recebo na estrada”
Foto: Jéssica R Mallmann

Como foi a sua primeira vinda para a cidade?

Ano passado estive aqui também, lamentavelmente, em uma situação parecida. Mas vim por uma família que conheci no Uruguai, em um camping. Foi a primeira família que encontrei na viagem, compartilhamos café da manhã e falaram bem de Lajeado. A cidade não estava nos meus planos de viagem, sempre fui pela BR-116, fui para outro lado da Serra Gaúcha. Ano passado, em setembro, estava em Imbituba, Santa Catarina, quando começou a enchente daqui. Quando veio a notícia, lembrei dessa família. Eu deixei minha bike em Imbituba, consegui uma carona de Torres e no outro dia estava aqui. Me convidaram para ficar na casa deles.

Em qual área atua como voluntário aqui?

Comecei um trabalho voluntário no Volúpia e no Parque do Imigrante, e depois fiquei sabendo da Cozinha Solidária da Univates. Foi onde fiz muitos amigos, onde também me senti mais confortável. Gosto da cozinha, também aproveitei para ajudar desse jeito, onde eu estava mais confortável e onde a ajuda também era importante. Ano passado, fui embora perto de 20 de setembro. Voltei com a viagem e segui pedalando. Trabalhei em Floripa, uma temporada em cozinha, e agora estava na Ilha do Mel, no Paraná, perto de Curitiba. Estava seguindo, perto da fronteira com São Paulo e fiquei sabendo da catástrofe. Daí liguei para o Gabriel que hoje em dia é o coordenador da Cozinha Solidária, perguntei se faltava alguma coisa. Eu disse que iria ajudar. Voltei para a Ilha do Mel, deixei a bike lá, descansei, fiz uma pequena meditação sabendo para onde eu estava indo. Fui pegando carona, ônibus e outras rotas até conseguir chegar a Lajeado. Cheguei primeiro no Volúpia para ver alguns amigos e depois fui para a Cozinha, onde senti que precisava estar.

Por onde já viajou?

Eu estive na Argentina, Chile, cruzei a Cordilheira duas vezes, sempre de bike. Nas minhas primeiras viagens, saia e voltava para trabalhar no Uruguai. Outro ano fiquei trabalhando em cozinha, e comecei a fazer esse tipo de viagem. Chego no lugar, conheço. O nome do projeto é “Pedalando Culturas” e um dos motivos para procurar um trabalho no local é para conhecer essa cultura. Na Ilha do Mel, achei um lugar incrível, não tem carro, semáforo, é outro mundo, surreal, tipo um paraíso do Brasil que não é muito conhecido. Também quero voltar à região. Os amigos perguntam quando vou vir para um churrasco, alguma coisa assim. Meu laço com Lajeado é especial. É o mínimo que posso fazer com tanta ajuda que recebo na estrada. O mínimo que posso fazer é ajudar quem realmente precisa.

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