Entidades de Encantado se mobilizam para construir moradias

SOS Habitar Vale do Taquari

Entidades de Encantado se mobilizam para construir moradias

Associação quer criar um fundo de contribuições privadas, sem recurso público, para edificar residências para as famílias desabrigadas pelas cheias

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Entidades de Encantado se mobilizam para construir moradias
Apresentação do programa ocorreu na sede da Aci-e na tarde desta quarta (Foto: Diogo Fedrizzi)
Encantado
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Um grupo de entidades e voluntários de Encantado fundou a Associação SOS Habitar – Vale do Taquari com o propósito de construir habitações para famílias de trabalhadores desabrigados na região.

Conforme explica uma das coordenadoras da mobilização, a empresária Raquel Cadore, presidente da Associação Comercial e Industrial de Encantado (ACI-E), motivados pela solidariedade de que “Morar é Existir”, empresários, profissionais liberais e voluntários pretendem, por meio da Associação, criar um fundo de contribuições privadas, sem recurso público, para edificar residências para as famílias desabrigadas pelas cheias no Vale.

As prefeituras participam do projeto, denominado “SOS Habitar”, por meio da utilização de áreas que já pertencem ao município em locais seguros, longe de áreas com risco de alagamento e deslizamento; com infraestrutura de estradas e pavimentação, e articulando o fornecimento de energia, água, saneamento; além dos serviços essenciais como escolas, unidades de saúde e transporte público.

O “SOS Habitar” deve proporcionar assistência humanitária imediata e reconstruir comunidades resilientes, destinando moradia digna e sustentável. Para isso, o objetivo é mobilizar recursos no país e também no exterior, visando erguer prédios e dar apoio contínuo na recuperação da região.

Segundo Rafael Fontana, presidente da Associação SOS Habitar, é preciso haver mobilização de todos os setores da sociedade para serem oferecidas aos desabrigados moradias de construção rápida que garantam condições de habitação.

A Associação trabalha no desenvolvimento de um edital claro para estabelecer critérios de seleção para acesso às moradias, que serão destinadas por meio da modalidade Cessão de Uso por um tempo determinado. Os detalhes ainda estão sendo debatidos internamente e passarão pelo crivo do Ministério Público, bem como do governo municipal.Dentre eles, são considerados: intenção de atender famílias que não são beneficiadas por programas sociais de habitação dos governos municipal, estadual ou federal; trabalhadores que mantém vínculo empregatício nas cidades onde serão feitas as construções, preferencialmente aqueles com carteira assinada, MEI’s e profissionais liberais vinculados ao INSS que tiveram sua residência atingida ou interditada pela Defesa Civil.

Para dar mais transparência, os doadores saberão o destino da contribuição, com a informação do endereço do imóvel construído, inclusive com a identificação do “apadrinhamento”. Ainda haverá auditoria externa para fiscalização dos recursos recebidos.

Modelo das moradias

A primeira etapa contemplará Encantado, onde a ação iniciou, uma vez que já existem áreas disponíveis para construção no bairro Lambari. Pelo menos 96 moradias devem ser contempladas nesta fase, que prevê edifícios de até quatro pavimentos. Cada apartamento terá em torno de 50 metros quadrados, com dois quartos, cozinha, banheiro e área externa. Também serão propostos apartamentos com três dormitórios, e o conjunto habitacional contará com área de lazer. A projeção de valor a ser buscado nessa primeira etapa é de R$ 12 milhões.

A opção de construir edifícios de apartamentos se deu também pela escassez de áreas públicas disponíveis para abrigar tantas pessoas atingidas. Com os edifícios, conseguimos dar condições de moradia digna a um número maior de pessoas utilizando uma menor área”, explica a arquiteta Eliza Bergamaschi, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Vale, a ASEAVALE, e voluntária da iniciativa.

Conforme a arquiteta, as edificações projetadas serão moduladas e adaptáveis aos locais onde forem inseridas. “A modulação contribui na sustentabilidade da edificação, na economia de materiais, na rapidez e agilidade de execução, além de facilitar a adaptabilidade ao local de inserção”, diz.

As diretrizes do projeto poderão ser utilizadas em iniciativas semelhantes em outros municípios, com organizações e estruturas próprias e com construções conforme as realidades e necessidades das cidades inclusive com outros modelos de edificação.

A mobilização da iniciativa privada é importante para construir moradias dignas principalmente aos trabalhadores de nossas empresas que precisam de apoio, pois muitos perderam suas residências”, salienta o presidente da Associação dos Amigos de Cristo, Robinson Gonzatti, que também apoia a campanha. Ele observa ainda que a entidade é integrada por pessoas comprometidas e voluntárias, que estão convocando a colaboração de toda a comunidade.

Inicialmente, entre as entidades envolvidas no projeto, além da Associação dos Amigos do Cristo, estão a Associação Comercial e Industrial de Encantado (ACI-E), Câmara de Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC-VT), Ordem dos Advogados do Brasil (subsecção de Encantado), Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Vale (Aseavale) e Prodel (Câmara Técnica Ambiente Empresarial), além do apoio de voluntários. A iniciativa buscará a integração das Prefeituras da região e dos Governos do Estado e Federal. Também, pretende-se buscar a cooperação de empresas fornecedoras de materiais de construção.

SOS Habitar é apresentado ao Judiciário e Legislativo

Na terça-feira, 21, a Associação “SOS Habitar” foi apresentada a integrantes do Poder Judiciário, Ministério Público e Câmara de Vereadores. O encontro, coordenado pela presidente da ACI-E, Raquel Cadore, iniciou com um relato da situação habitacional pelo prefeito Jonas Calvi. Já o presidente da “SOS Habitar”, Rafael Fontana, explicou os objetivos e as linhas gerais de atuação da entidade.

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