Cristo Protetor se consolida e obras do entorno superam 50%

CINCO ANOS DEPOIS

Cristo Protetor se consolida e obras do entorno superam 50%

Obras avançam e expectativa é inaugurar complexo até o fim do ano

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Atualizado quinta-feira,
21 de Março de 2024 às 10:24

Cristo Protetor se consolida e obras do entorno superam 50%
(Foto: Diogo Fedrizzi)
Encantado

Era 19 março de 2019 quando o primeiro projeto para a construção do Cristo Protetor era apresentado à comunidade encantadense. Nessa data, também foi fundada a Associação Amigos de Cristo, para buscar recursos junto às pessoas físicas e empresas para financiar a obra. Passados cinco anos, o monumento consolidou-se como o maior atrativo turístico do Vale do Taquari, e busca ser um dos maiores do estado.

“É uma honra estar à frente de um grupo tão legal, esforçado e empenhado nesse projeto do Cristo Protetor. Esse ano, com certeza, vai haver a conclusão da obra e a inauguração”, garante o presidente da associação, Robison Gonzatti, que assumiu o comando da entidade neste ano, após quatro temporadas de gestão de Horácio Marins, o Pelé.

As expectativas são as melhores possíveis, por tudo o que está acontecendo no nosso município. Desde 6 de abril de 2021, quando os braços e o rosto do Cristo foram içados, houve uma transformação muito significativa em vários setores da cidade”, comenta Gonzatti, que destaca melhorias na rede hoteleira, a abertura de restaurantes aos finais de semana e os investimentos em novos empreendimentos. “São negócios que fortalecem a matriz econômica do turismo. É um setor com amplo desenvolvimento em toda região”, acrescenta.

Transformação no Morro das Antenas

Mais de 50% das obras do entorno estão concluídas (veja destaque). Esse trabalho é custeado com recursos da associação, cujo investimento fica na casa dos R$ 15 milhões. O projeto ocupa uma área de 14,3 mil metros quadrados no Morro das Antenas.

Conforme a diretora de logística do complexo do Cristo Protetor, Vanessa Goldoni, a transformação que ocorreu no local impressiona. “Quando começamos a receber as pessoas, tínhamos duas barraquinhas do Sicredi, duas mesas de comunidade cedidas pela Prefeitura e dois banheiros químicos. A evolução é marcante. Imagina depois que ficar pronto. Nós, que acompanhamos os trabalhos desde o início, nos emocionamos o tempo todo”, salienta.

Até hoje, quase 270 mil visitantes, oriundos de 59 países diferentes, viram de perto a estátua de 43,5 metros de altura. Embora as enchentes históricas do ano passado tenham freado a crescente movimentação de turistas, Gonzatti percebe que os números, aos poucos, começam a retornar à normalidade. “Ainda não chegamos ao patamar anterior a setembro de 2023, mas recuperamos bastante”, revela o presidente, que é grato aos elogios recebidos não só pelos turistas, mas também pela comunidade. “As pessoas reconhecem a importância desse projeto. Isso nos deixa com mais vontade para chegarmos ao objetivo que é entregar uma obra do tamanho do nosso Cristo Protetor”, afirma o empresário.

OBRAS NO ENTORNO

Capela de vidro

A construção da Capela São João Batista Scalabrini está em fase final. Ontem, os operários iniciaram a instalação dos vidros. Os móveis internos estão na produção. A inauguração será em maio. Uma das atrações será um relicário do santo. A peça ainda não está em Encantado. Ela chegará no dia da inauguração para ficar exposta em definitivo. A outra será o fragmento da mão direita de Cristo, abençoado pelo Papa Francisco no ano passado, que ficará exposto na capela até iniciar a peregrinação pelo país.

Bilheteria, área de funcionários e sanitários da entrada

Em fase final. As catracas de acesso chegaram ontem. Após a colocação da tubulação, os pavers serão posicionados na área que será pavimentada e as catracas instaladas.

Lojas de Souvenirs, e Praça de Alimentação
Estrutura bruta em fase final. Restarão os acabamentos, parte elétrica e mobiliário.

Fonte dos Apóstolos

Obras não iniciaram. A Associação aguarda os projetos e a definição do cronograma de trabalho.

Elevador que leva ao “Coração do Cristo”

Equipamento está instalado e com disponibilidade de energia elétrica trifásica. O trabalho se concentra na colocação das portas corta-fogo, placas de sinalização e alarme de emergência. Na sequência, será feita a vistoria dos bombeiros para ter a liberação do PPCI.

Rampas de acessibilidade

São duas estruturas. Em fase de orçamentos.

Escadaria

Em fase final. Falta o revestimento dos degraus, além da instalação dos corrimãos e da iluminação.

Novo trajeto da Estrada do Cristo

Novo acesso sai da rodovia e evita a circulação no entorno da lagoa

Outras intervenções foram conduzidas pelo governo municipal. A estrada principal, que parte das proximidades do Boulevard Encantado até a entrada do Jardim do Acolhimento, está asfaltada, assim como já foi instalada a iluminação ao longo do percurso. A construção do novo trajeto, que sai da rodovia para ingressar na Estrada do Cristo, chega à fase final.

Esse acesso evitará a circulação de veículos no entorno da Lagoa da Garibaldi para se dirigir ao monumento. O poço artesiano também já foi perfurado em profundidade que supera os 600 metros. O funcionamento depende da disponibilidade de energia elétrica.

“O Adroaldo me disse: ‘te vira, faz o projeto”

Foto: arquivo / A Hora

Entrevista
Marcos Bastiani • engenheiro civil

O engenheiro civil, Marcos Bastiani, até hoje lembra a ligação apressada do então prefeito Adroaldo Conzatti, em que solicitava a presença urgente dele no gabinete da Prefeitura para conversar sobre a construção de uma estátua. Passados cinco anos, Bastiani revela detalhes da reunião em que recebeu a missão de elaborar o ousado projeto para a construção do Cristo Protetor.

Qual foi o tom da conversa naquela reunião para tratar da construção da estátua do Cristo?
Era meio-dia quando recebi a ligação do prefeito Adroaldo Conzatti, porque tinha um pessoal em Encantado para ver sobre uma estátua, inclusive, um escultor uruguaio. Imaginei que quisessem que eu fizesse o projeto de um pedestal para uma estátua. Quando me falaram que era uma estátua de Cristo, citei a de Guaporé, mas não dei muita importância. Na mesma sala havia uma pessoa pesquisando na internet outras estátuas de Cristo para se inspirar. Quando falaram que a do Cristo Redentor do Rio de Janeiro tinha 30 metros, eu tripudiei: ‘ah, não vamos perder pro Rio, né?’. E falei meio na gozação: ‘vamos fazer a idade do Cristo, 33 metros’. E o Adroaldo: ‘boa ideia, vamos fazer mesmo, mas faz 35 metros’. Tentei apavorá-lo, para ver se caía na realidade, mas não tinha jeito de tirar da cabeça dele. Na conversa com o escultor, não senti muita firmeza. Ele queria empilhar blocos de concreto, sem estrutura condizente. E o Adroaldo me disse: “Te vira, faz o projeto”. O que me marcou foi a rapidez da decisão dele. Comecei a colocar no papel. Tive que conceber o projeto conforme o tamanho de uma pessoa. Medi meus braços, minha cabeça, me usei de modelo para ter ideia da dimensão do corpo humano e dar harmonia à estátua.

E como foi a evolução desse trabalho?
Pensei em fazer uma estrutura pré-moldada, metálica. Até que veio a ideia de fazer um prédio com lajes e pilares, numa estrutura convencional de concreto, que seria recheada por fora com esses tais blocos do escultor. E aí lançamos o projeto estrutural no dia da fundação da Associação Amigos de Cristo. Fomos avaliar o terreno lá no Morro das Antenas e o projeto foi tomando corpo. Depois, com a troca do escultor, o novo profissional solicitou que se aumentasse o tamanho da estátua para 37,5 metros, com mais 6 metros do pedestal, se chegou aos 43,5 metros. Também trocamos a estrutura de concreto dos braços e da cabeça para uma metálica, para deixar “mais leve”. Quando içaram os braços e a cabeça houve a comoção geral e as pessoas perceberam o que estava acontecendo no Morro das Antenas. É emocionante lembrar. O maior mérito dessa obra é ter transformado um descrédito quase geral que havia em um símbolo de fé.

 

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