Puxado pelo agro, PIB  cresce 2,9% em 2023

ECONOMIA

Puxado pelo agro, PIB cresce 2,9% em 2023

IBGE calcula avanço no Produto Interno Bruto. Setor primário representou mais de 15% da geração de riquezas no país. Exportações, serviços, indústria e consumo das famílias também tiveram resultados positivos

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Puxado pelo agro, PIB  cresce 2,9% em 2023
(Foto: arquivo)
Brasil
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

As expectativas do mercado se confirmaram. Conforme o IBGE, o país produziu mais em 2023 e teve saldo positivo de 2,9% no PIB. O resultado se mostrou muito próximo ao registrado em 2022, quando a atividade econômica teve uma alta de 3%.

O desempenho revela dinâmicas distintas nos dois semestres do ano passado. Na primeira metade, a atividade econômica foi impulsionada por uma safra excepcional de grãos, com um expressivo crescimento de 15,1% no setor agropecuário.

Já no segundo semestre, o setor de serviços, o principal motor da economia brasileira, manteve-se resiliente e contribuiu para uma desaceleração gradual, influenciada pelo patamar elevado da taxa básica de juros, a Selic.

Estímulos fiscais, como o reajuste real do salário mínimo e a fixação do programa Bolsa Família no valor de R$ 600, impulsionaram os números de consumo. O mercado de trabalho atingiu recordes de ocupação e desempenhou um papel relevante na economia, conforme análise técnica do instituto.

Com o destaque do Agro, as exportações também tiveram forte alta. No mercado interno, o consumo das famílias teve crescimento de 3,1%. Em seguida, os serviços demonstraram um avanço de 2,4%.

Projeções

Para 2024, a estimativa é de desaceleração, tanto por questões globais, com os conflitos na Europa e no Oriente Médio, quanto pela perspectiva de uma safra de grãos menor do que a passada.

A economista-chefe da Fecomércio, Patrícia Palermo, considera o desempenho do ano passado excepcional. Os motivos estão na agropecuária, a criação de postos de trabalho formais, a queda no preço dos alimentos e a política de estímulos fiscais. “Algo que não vai se repetir agora”, destaca.

“Ainda que a desinflação continue, a intensidade deve ser menor, e os impulsos fiscais também. O que tende a favorecer a economia brasileira é a preservação do emprego e a menor taxa de juros.”

Durante o EmpreInove, em novembro passado, o ex-ministro da Fazenda e atual diretor do Banco Safra, Joaquim Levy, analisou o cenário nacional. Para ele, o país reduziu a inflação sem passar por uma recessão. Inclusive com saldo positivo na balança comercial, com exportações significativas de petróleo, soja, milho e ferro. Comportamento que deve se repetir nos próximos dois anos.“Sem dúvida teremos desafios. Os fatores climáticos são um deles. Também a gestão fiscal do governo traz preocupação”, afirmou.

Neste ano, o Banco Central espera um crescimento de 1,7% do PIB, com uma inflação de 3,5%. A taxa Selic em baixa, podendo chegar a um dígito, além da cotação média do dólar em R$ 5.

Destaques
O PIB de 2023 por setor:

  • Agropecuária: 15,1%
  • Exportações: 9,1%
  • Consumo das famílias: 3,1%
  • Serviços: 2,4%
  • Consumo do governo: 1,7%
  • Indústria: 1,6%
  • Investimentos: -3%
  • Importações: -1,2%

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