Preço baixa e demanda por etanol cresce nos postos

ECONOMIA

Preço baixa e demanda por etanol cresce nos postos

Combustível teve alta popularidade nos anos 1980 e 1990, mas perdeu espaço para a gasolina nos últimos 20 anos. Apesar da queda no preço, rendimento do derivado de petróleo contia maior no RS

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Preço baixa e demanda por etanol cresce nos postos
Apesar do aumento na procura, álcool corresponde a cerca de 2% da matriz de combustíveis do RS (Foto: Gabriel Santos)

Os postos de combustíveis da região registram aumento no número de clientes que abastecem com o etanol. Combustível de alta popularidade nos anos 1980 e 1990, o “Álcool” voltou a ser opção devido a queda nos preços, que alcançaram a melhor relação de custo na comparação com a gasolina nos últimos 63 meses.

Gerente do Posto Flex de Lajeado, Miguel Ferri afirma que o movimento começou a aumentar nas últimas duas semanas, quando a diferença de preços entre os dois combustíveis ficou em cerca de R$ 1,50. “Como Lajeado tem bastante veículos que rodam com etanol, sempre tivemos um fluxo, porém, pequeno. O aumento da procura pelo álcool combustível ficou bastante perceptível.”

A mudança no padrão de consumo reflete movimento registrado em todo o Brasil. O volume de etanol hidratado vendido pelas usinas em janeiro cresceu 35% em relação ao mês anterior. O total supera em quase três vezes o do mesmo período do ano passado, conforme informações divulgadas no pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP.

Sócio do Posto Fascina do bairro São Cristóvão, Tiago Johann afirma que, mesmo com a queda nos preços, o etanol representa menos de 2% do volume comercializado pela empresa. Ressalta que a queda no preço do “Álcool” também interfere no valor do combustível fóssil, uma vez que o produto vegetal representa 27% da composição da gasolina vendida no Brasil.

“O etanol caiu, mas para ele valer a pena, deveria ter menos de 30% do preço em relação à gasolina”, completa. Esta relação ocorre porque o álcool combustível tem rendimento menor do que o derivado do petróleo.

Diferença entre os estados

Como as usinas de cana de açúcar fica situadas majoritariamente no Sudeste e no Nordeste, a relação de economia entre o etanol e á gasolina é diferente entre os Estados. Para os consumidores gaúchos, a gasolina tem melhor relação de consumo (box), assim como no Amapá, Maranhão, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.

Conforme levantamento da empresa Ticket Log, ao longo do mês de janeiro, abastecer com álcool combustível era mais vantajoso do que com gasolina em 18 estados. São eles Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Tocantins.

ENTREVISTA


João Carlos Dal’Aqua
• Sócio-diretor da Rede de Postos Pegasus, de Porto Alegre, e presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do RS – Sulpetro

João Carlos Dal Aqua (Foto: divulgação)

“ O consumidor sempre vai procurar o mais barato”

– Como a redução no preço do etanol influencia o mercado de combustíveis no RS?
João Carlos Dal’Aqua – Essa redução propiciou um pouquinho mais de venda, mas a comercialização do etanol no Rio Grande do Sul é quase insignificante dentro da matriz. Atinge em média 2% e muito especificamente alguns postos que estão próximo de locadoras de veículos ou situações semelhantes. Além de não ser significativa, essa redução pode não se manter. O álcool combustível está subindo e temos que acompanhar o que vem pela frente.

– Qual a relação com o preço da gasolina?
Dal’Aqua – Se a gasolina aumentou em função da questão tributária, perde competitividade para o álcool, mas as usinas fazem um acompanhamento e não deixam distanciar muito o valor para não perder competitividade. Esse é um assunto que não vai ser mágico aqui no Estado, porque dependemos do álcool produzido em usinas de fora do RS e por isso o valor é oscilante.

– Porque o número de postos que oferece etanol caiu tanto ao longo dos anos?
Dal’Aqua – Vários postos pararam de vender o etanol porque com baixo giro ele perde as propriedades. Se ficar mais de 30 dias no tanque, ele dá problemas até de qualidade, portanto o posto fica sujeito até a uma autuação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Alguns postos retomaram alguma coisa, mas ainda é um mercado insignificante no Rio Grande do Sul.

– Para o setor, é interessante ter mais disponível mais opções de combustíveis?
Dal’Aqua – O posto só quer produto de qualidade com preços competitivos. Vai vender o que for preciso e necessário. Temos além do álcool o biodiesel e o Brasil tem alto potencial para fornecer biocombustíveis. Quanto mais conseguirmos trabalhar nesse linha de agregar mais alternativas, melhor. O próprio GNV é um exemplo. Mas é preciso ter competitividade. É muito difícil bater o valor do combustível fóssil sem uma escala grande. O consumidor sempre vai procurar o mais barato e o posto sempre vai oferecer o que tem de melhor.

Relação de consumo

Rio Grande do Sul
– Preço médio do litro do etanol:
R$ 4,35
– Custo por km rodado com etanol:
R$ 0,51


– Preço médio do litro da gasolina comum:
R$ 5,61
– Custo por km rodado com gasolina comum:
R$ 0,49

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