Grêmio e Inter precisam sair de cima do muro em relação ao Gauchão

Opinião

Fabiano Querotti

Fabiano Querotti

Colunista da dupla GreNal e de futebol

Grêmio e Inter precisam sair de cima do muro em relação ao Gauchão

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Historicamente, clubes reclamam das condições de alguns estádios do interior, mas não demonstram nenhum pudor em abocanhar a maior parte da verba do campeonato.

As declarações de Renato Portaluppi na coletiva após a vitória sobre o Avenida, em Santa Cruz do Sul, reacenderam uma velha discussão. A forma como a dupla GreNal deve disputar o estadual. Para contextualizar o episódio, o técnico gremista pediu que a Federação Gaúcha de Futebol obrigue os clubes a terem alguns cuidados essenciais com luz, gramado e vestiário. No intervalo da partida, o Grêmio simplesmente não foi ao vestiário, pois o calor era insuportável no local. Algo inadmissível nos dias atuais. Neste quesito, Renato está coberto de razão.

A parte que discordo de Renato é quando ele diz que pode decidir não usar mais os titulares no Gauchão. Ele pode tomar essa decisão para uma partida, dentro de uma estratégia no campeonato, nunca para o certame inteiro. Jogar um campeonato todo com reservas é atribuição da instituição. Somente a direção tem a palavra final sobre qual valor o clube dará a qualquer campeonato.

Historicamente, Inter e Grêmio reclamam das condições de alguns estádios do interior. Porém, não demonstram nenhum pudor em abocanhar a maior parte da verba e deixar o restante das equipes com parcos recursos. Exigir que os pequenos invistam em infraestrutura é fácil. Agora, demonstrar empatia para com eles, são outros quinhentos. A maioria dos clubes do interior faz futebol com muitas dificuldades.

Literalmente, vendem o almoço para comprar o jantar. Para o bem do campeonato, Grêmio e Inter deveriam ser os primeiros a pleitear uma divisão melhor dos recursos, algo que fazem muito bem quando são os prejudicados. Mas parece que neste caso, vale o ditado que pimenta nos olhos do outro é colírio.

Grêmio e Inter recebem R$ 9 milhões cada um de cotas de TV e publicidade. O Juventude R$ 2 milhões. Todos os outros recebem R$ 1 milhão cada. A dupla poderia abrir mão de 25% de suas cotas, deixando mais R$3,25 milhões para serem divididos igualmente. Esse recurso a mais poderia ser utilizado para sanar parte desses problemas de infraestrutura dos pequenos estádios. Está na hora das direções de Inter e Grêmio pararem de apenas reclamar, descer do muro e tomarem partido de seus pares do interior, pelo bem do próprio campeonato. A discussão sobre utilização dos principais jogadores desde o início da competição, ou não, é discussão para os próximos capítulos.

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