A área central e a “cidade de 15 minutos”

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A área central e a “cidade de 15 minutos”

As regiões passam por um processo de “repaginação”, com a compra e demolição de casas antigas e a posterior construção de imponentes edifícios ou salas comerciais

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A área central e a “cidade de 15 minutos”
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Lajeado

Se a oferta de terrenos grandes disponíveis na área central é menor, não falta criatividade às construtoras em bairros mais tradicionais, como o Americano, o Florestal, o Centro e o Hidráulica. As regiões passam por um processo de “repaginação”, com a compra e demolição de casas antigas e a posterior construção de imponentes edifícios ou salas comerciais. Empresário da construção civil e futuro presidente da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil), Joni Zagonel, ressalta a mudança de cenário. “Os bairros com maior volume de verticalização se firmaram como as áreas mais disputadas e valorizadas da cidade. A grande oferta do comércio, dos serviços e dos equipamentos públicos, torna estes locais muito atraentes a quem busca uma vida com menos deslocamento.”

Zagonel cita a preocupação cada vez maior com a localização, e reforça a implantação do conceito de “cidade de 15 minutos”. “Uma tese de urbanismo onde as necessidades básicas devem ser atendidas caminhando e dentro desse intervalo. A ideia vai ao encontro de uma cidade com menos necessidade de deslocamento motorizado, e, assim, mais sustentável.” Ele também cita algumas características verificadas na área central. “Garagens com
manobra facilitada e infraestrutura condominial com áreas de lazer estão na lista de desejos dos compradores, e exigem obras com porte maior para serem viabilizadas, o que vêm ocorrendo com as tipologias prediais por aqui, para unir as características da cidade, com as necessidades dos atuais e futuros moradores”.

“A verticalização, quando bem-feita, traz benefícios à cidade”

Diretor comercial da Construtora Diamond, Gustavo Schmidt já liderou diversos empreendimentos nos bairros mais tradicionais da cidade. Centro, o Florestal e o Hidráulica são regiões pujantes no setor da construção civil. Também destaca o Americano. “É onde se concentram muitos empreendimentos de valor agregado. Isso faz com que o bairro seja, na média, o mais valorizado da cidade. Tem uma localização estratégica, próxima ao centro, aos colégios, à BR- 386, e ainda com bons acessos aos demais bairros. E certamente ainda tem muito a crescer”, salienta.

Além disso, observa as novas exigências dos clientes. “A tendência é por empreendimentos cada vez mais completos no atendimento ao morador. Tudo para facilitar a vida. Eles buscam praticidade e segurança. E a verticalização é a solução para este contexto”, afirma.

Como exemplo, detalha um dos últimos empreendimentos lançados pela construtora. O residencial oferece espaço gourmet, salão de festas com varanda e deque mobiliado e decorado. Também tem academia; espaço kids decorado; oficina coletiva multiuso; espaço pet com área especial e brinquedos para animais de estimação; bicicletário compartilhado; playground; horta coletiva e outras ferramentas coletivas.

“O propósito de quem busca essa região da cidade é esse: ter uma rotina mais prática e com mais tempo para aproveitar a vida”,argumenta. “Em 26 anos, a nossa construtora já tem 29 empreendimentos entregues e em construção nos bairros Americano, Centro e Florestal.”

Reconhece as queixas de moradores habituados ao modelo horizontal de residências, e que por muitos anos foi preponderante nos bairros próximos ao centro, no entanto ressalta o dinamismo da cidade, a importância econômica dConstrução Civil e observa para as vantagens e benefícios da verticalização.

“A gente entende as preocupações. Mas a cidade não vai parar de crescer e isso é sinal de que toda a região está prosperando. O nosso desafio é trazer cada vez mais tecnologia e inovação aos empreendimentos, com produtos mais completos”, diz.

Em cima disso, acrescenta: “a verticalização é benéfica quando bem-feita e com projetos organizados e sustentáveis. Com melhor uso do espaço urbano, evita-se problemas gerados pelo deslocamento entre bairros, reduz poluentes e melhora a qualidade de vida. Temos clientes que praticamente não tiram o carro da garagem durante a semana”, finaliza.

Presidente da Associação de Moradores do Americano, Adair Ruppenthal reforça as vantagens do bairro. “É o endereço escolhido por diversas empresas e franquias, e também é um dos principais endereços residenciais, pois fica ao lado do Centro e com fácil acesso aos demais bairros.”

De acordo com ele, é o bairro da Praça João Zarth Sobrinho, mais conhecida como ‘Pracinha do Papai Noel’. “Há um olhar muito atento para este espaço. Seja pelos moradores e também pelas incorporadoras.”

Ruppenthal é corretor de imóveis e reconhece a valorização da área. “O crescimento é vertical pois existem poucos terrenos. As casas que outrora abrigaram famílias nobres vão dando lugar aos empreendimentos que são referência. O valor dos terrenos é elevado e o preço dos apartamentos se aproxima, em alguns casos, de R$ 10 mil o metro quadrado”, estima.

Novo Plano Diretor acelera a verticalização

A constante verticalização em áreas mais distantes do Centro e a “repaginada” dos bairros residenciais mexem com o mercado imobiliário e foram aceleradas pelas recentes mudanças no Plano Diretor – como o aumento nos índices construtivos. Essa é a opinião do empresário e corretor de imóveis, Mateus Pedó. “Os bairros mais privilegiados pelo novo Plano Diretor foram o Florestal, o Centro e o Americano, além de áreas do São Cristóvão, nas proximidades da Av. Alberto Pasqualini, Piraí e Rua Coelho Neto, especialmente”, avalia. “Nestes pontos é possível aproveitar terrenos com menos metragens e construir prédios mais altos, com maior volume de obra. E a tendência é sair cada vez mais empreendimentos, seja pela praticidade ou pela demanda”.

Pedó observa para o crescimento e as novas oportunidades no bairro Florestal, com destaque à região próxima ao antigo e desativado Estádio Florestal. Naquele ponto, aliás, o Supermercado Passarela anunciou a construção de um “atacarejo”, e também está prevista a construção de galerias para salas comerciais. “Paralelo a isso, o governo municipal anunciou uma nova ligação com o bairro Montanha – que também recebe alta demanda de novos moradores e pequenas empresas –, e isso tende a valorizar ainda mais aquele ponto da cidade. O índice construtivo é interessante à construção civil e ainda existe grande oferta de terrenos. É uma área central e próxima de tudo. Com certeza ainda vai atrair muito os olhos das incorporadoras e clientes”, avalia.

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