Separação dos pais afeta crianças e exige atenção

NOSSOS FILHOS

Separação dos pais afeta crianças e exige atenção

Número de divórcios, em 2021, ultrapassou 386 mil casos no país. É preciso avaliar o impacto nos jovens e, nessa situação, olhar cuidadoso dos pais e acordos para informar a decisão são essenciais para o bem-estar deles

Por

Separação dos pais afeta crianças e exige atenção
Profissional reforça a importância da rede de apoio para acolher os pequenos e mostrar que há um local seguro para que possam expressar seus sentimentos. (Foto: Eloisa Silva)
Lajeado
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

O número de divórcios no Brasil é crescente. Em 2021, chegou a 386.813 casos registrados. Desses, cerca de 50% envolvem filhos menores de idade. Dados, esses, do mais recente relatório Estatísticas do Registro Civil, divulgado em fevereiro de 2023 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O anúncio da decisão é delicado. O ideal é que os pais pensem juntos em como contar, mantendo a serenidade e equilíbrio entre razão e emoção”. Convidada da última quinta-feira, 18, de “Nossos Filhos”, programa multiplataforma do Grupo A Hora, a psicóloga e mestre em psicologia, Janaína Petry Froner, reforça que, nesses momentos, o foco deve ser o bem-estar da criança e como ela receberá a notícia.

Segundo a profissional, a abordagem faz toda a diferença. “O cuidado principal é não passar o que se está vivendo na vida conjugal para a parental. Eles precisam estar emocionalmente disponíveis para lidar com as reações que o pequeno pode ter”.

Janaína também destaca que, nessas ocasiões, os pais não precisam esconder os sentimentos. “Muitas vezes se omite ou até mesmo mente para os filhos. De qualquer forma, elas captam que algo está acontecendo”. Complementa ainda que, com uma imaginação fértil, os pequenos tendem a pensar que o motivo do rompimento é a própria criança. Por isso, reafirma a importância da comunicação.

Abordagem cuidadosa

Acordar o que será levado a criança. A recomendação da psicóloga é que os responsáveis entrem em consenso e evitem culpabilizar um ao outro. Caso contrário, há chances que o pequeno passe a se isolar, mentir e evitar assuntos referentes aos pais. Nessa conversa, também é importante pontuar que não irão abandoná-lo e que o contato e a proximidade dos pais com o filho continuará a mesma.

“É importante que, durante o processo, a criança tenha um lar de referência. Deve ser alguém de segurança e que tenha disponibilidade emocional e financeira. Se a criança tiver maturidade o suficiente, a partir dos 12 anos, por exemplo, é indicado que ela mesma escolha quem será essa pessoa”.

Respostas

“A separação é um período de frustração pela quebra da expectativa de um ideal de vida, sonhos. Ao cair nessa realidade, isso precisa ser trabalhado e os pais devem ficar atentos aos sinais”. Crises de choro, raiva, isolamento, tristeza e ansiedade são alguns desses indícios.

Nos casos de raiva, por imaturidade emocional comum da idade, os jovens podem ficar ressentidos com os pais e até mesmo desenvolver sentimento de raiva pelos genitores. A culpa também pode aparecer. Nesse caso, Janaína afirma que é fundamental esclarecer que responsabilidade pelo sucesso ou fracasso de um relacionamento deve ser dada ao casal.

Em alguns casos, a criança tende a começar a usar a situação ao seu favor para conseguir algo que queira. Para a profissional é indicado que haja atenção ao comportamento tendencioso, mesmo que seja difícil dizer um não. Se não houver esse cuidado, diz, será um hábito cultivado a longo prazo que refletirá nas relações futuras sejam elas de amizade ou amorosas.

“É fundamental que os pequenos tenham uma rede de apoio disponível. Além dos pais, amigos, professores ou até mesmo psicólogos têm um papel importante. São eles que podem acolhê-los e mostrar que há um local seguro para que possam expressar seus sentimentos”, finaliza.

Diminuindo o impacto

O planejamento minimiza o efeito do divórcio nas crianças e garante o bem-estar delas. Mesmo diante das diferenças do casal, conversas com o cônjuge e, na medida do possível, com os filhos são assertivas.

Atenção ao bem-estar

  • Indícios de que a criança esteja precisando de auxílio
  •  Baixo rendimento escolar;
  • Dificuldade em relacionamentos;
  • Ansiedade;
  • Crises de raiva e choro;
  • Isolamento;
  • Tristeza repentina.

 

Acompanhe
nossas
redes sociais