Empresas e BNDES buscam alternativas para crédito

ECONOMIA E NEGÓCIOS

Empresas e BNDES buscam alternativas para crédito

Indústrias atingidas pelas enchentes de 2023 agendam encontro na sede do banco, no Rio de Janeiro

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Empresas e BNDES buscam alternativas para crédito
Relatório feito com empresas da região, mostra que mais de 1,3 mil CNPJs foram prejudicados pelas cheias. Deste total, são pelo menos 15 indústrias de grande porte, responsáveis por empregar mais de 7,5 mil pessoas. (Foto: Filipe Faleiro)
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

om o fracasso dos financiamentos pelo fundo garantidor (FGI\Peac-Solidário), e a impossibilidade de alterar a legislação sobre crédito tributários, a nova aposta do governo federal é aproximar as indústrias da região do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De acordo com o secretário de Comunicação Institucional da presidência, Maneco Hassen, foi articulada uma reunião entre os diretores das maiores empresas com a instituição financeira.

“O objetivo é garantir o acesso a financiamentos às indústrias atingidas pela enchente. Pedimos para eles entregarem um diagnóstico de quantas sofreram prejuízos, os valores e as necessidades”, afirma Hassen.

Em reunião entre empresas e representantes do governo federal, na metade de dezembro, foi apresentado o intuito de formular modelos específicos para cada indústria. A viagem até a sede do BNDES, no Rio de Janeiro, ainda deve ser agendada pelo grupo de empresários do Vale. A perspectiva é que ocorra entre a segunda quinzena até o fim de janeiro.

Conforme relatório elaborado pelas associações comerciais da região, em parceria com o Sebrae, Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e Junta Comercial, são 15 indústrias de grande porte atingidas por coluna de água dentro das unidades fabris. O prejuízo passa dos R$ 500 milhões. Juntas, empregam mais de 7,5 mil trabalhadores.

Juros e carência

O crédito apresentado em novembro pelo governo federal, modelado pela equipe do Ministério do Desenvolvimento Econômico, estabelecia juros de até 1,75% ao mês e prazo de carência de 6 até 18 meses.

Foi por esses critérios que a própria Federação das Entidades Empresariais do RS (Federasul) orientou os empresários a não contratualizar neste formato. Sem procura, o próprio governo admitiu que o financiamento estava distante das necessidades.

Em cima disso, uma comissão externa da bancada gaúcha na câmara dos deputados elabora um relatório com indicações de como corrigir o auxílio às empresas. A porta-voz do governo federal no parlamento, a deputada Maria do Rosário (PT), afirmou que o presidente Lula e os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento Econômico revisam a política de empréstimo para negócios com faturamento de até R$ 300 milhões ao ano.

A Federasul entregou uma carta com as principais demandas, com duas principais reivindicações: juros de 5% ao ano para financiamentos aos negócios atingidos por coluna de água e liberação dos créditos tributários.

Retorno dos impostos

A resposta do governo sobre liberação dos créditos tributários foi negativa às empresas. Por meio da Instrução Normativa 2.167, publicada no Diário Oficial da União em 21 de dezembro, a Receita Federal determinou que os impostos pagos a mais só podem ser usados para abatimentos futuros.

O pedido era para um novo regramento, com uma desburocratização das normas como forma de garantir o acesso para empresas que tiveram prejuízos devido a catástrofes climáticas.

Conforme a Secretaria de Comunicação Institucional da Presidência, a demanda foi apresentada a um grupo de trabalho da Receita Federal e do Ministério da Fazenda, para avaliação da viabilidade.

Mas a mudança impactaria todo o território do país, o que traria liberações emergenciais para outras regiões e para grandes empresas, como em Alagoas (em especial em Maceió), e em toda a região amazônica (devido à seca severa).

Resumo da notícia

  • Com o insucesso dos créditos via BNDES e a negativa da liberação dos créditos tributários, governo federal quer aproximar as empresas do BNDES;
  • Ideia é criar formatos mais direcionados para o grupo de 15 indústrias de grande porte atingidas pela enchente;
  • Uma reunião entre a comitiva regional e executivos do banco será agendada no Rio de Janeiro;
  • A data ainda não foi confirmada, mas deve ocorrer entre a segunda quinzena até o fim deste mês.

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