Enchentes obrigam mudança de planos das empresas

ECONOMIA E NEGÓCIOS

Enchentes obrigam mudança de planos das empresas

Estabelecimentos nas ruas Bento Rosa e Osvaldo Aranha, em Lajeado, revisam a continuidade nos pontos atuais. As três maiores indústrias ao longo do trecho alagável decidem pela mudança. Bares no Mirante do Rio Taquari estruturam obras para mitigar prejuízos

Por

Enchentes obrigam mudança de planos das empresas
Falta de iluminação e demora na limpeza das calçadas dificulta o trabalho dos bares na Orla do Taquari . (Foto: Júlia amaral)
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Logística facilitada. Acesso pela BR-386, em área próxima ao centro de Lajeado. Um trecho que inclusive recebeu a alcunha de “Rota da Inovação”. Conceito nascido dentro do Executivo de Lajeado e que não vingou. Ainda assim, um ponto estratégico.

Nas proximidades, o Mirante do Rio Taquari. Área com bares, voltado ao turismo. Todo um esforço para mudar a relação da sociedade com o que foi por muito tempo o ponto de escoamento das produções e transporte das famílias. Pela Osvaldo Aranha se teve um dos berços da cidade. Duas ruas históricas e importantes, com um único porém: estão em área alagável.

Devido a magnitude da enchente de setembro e a repetição de uma inundação de grande porte em novembro, empresas passaram a repensar as atividades nestes pontos da cidade. Os três maiores empreendimentos (STW, Lajeadense Vidros e Vinagres Prinz) já decidiram. É preciso sair, não se pode mais arriscar.

Conforme a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, a Bento Rosa tem 29 empresas instaladas. Já a Osvaldo Aranha contabiliza nove. Conforme André Bücker, o Executivo encaminhou um projeto à câmara de vereadores com proposta de incentivo e mitigação para efeitos das enchentes para áreas alagáveis.

Mesmo com a tentativa do governo municipal, a STW (indústria de automação) anunciou a construção da nova sede em Estrela, no 386 Business Park. O investimento atinge R$ 20 milhões entre construção, infraestrutura e instalação de maquinários.

Já a Lajeadense Vidros alugou um pavilhão em Estrela para retomar a produção enquanto prepara a construção da nova sede no bairro Imigrantes em Lajeado, nas proximidades da BR-386.

Pelo acordo prévio, a fábrica ficará em uma área com mais de 30 mil metros quadrados. A transação envolve a compra de um terço da área por parte da Lajeadense Vidros, enquanto os dois terços restantes serão garantidos pelo Executivo de Lajeado.

O município fará a permuta com o proprietário do terreno. Como contrapartida, serão oferecidas três áreas públicas em outras localidades.

Para garantir a continuidade da Vinagres Prinz, também é articulado um modelo semelhante para buscar uma nova área. De acordo com Bücker, o município avalia junto com as empresas formatos de permutas em áreas não alagáveis.

Permanência com adaptação

Eletrodomésticos, mesas, cadeiras, e paredes e janelas. Tudo perdido. Como resultado, R$ 150 mil em prejuízo no Merlin Gastropub. O restaurante fica na orla do rio Taquari há três anos e sofre com as consequências da enchente. A sujeira da rua e a falta de iluminação são o obstáculo do estabelecimento que vê o movimento crescer durante o verão.

Na enchente de novembro, ele conseguiu tirar todos os equipamentos antes da água chegar. O que mais tem incomodado o empreendedor é a demora do governo municipal em restabelecer a iluminação dos postes danificados e limpeza das calçadas. Mesmo com os dias de calor e música ao vivo, os clientes não passam mais muito tempo no bar, incomodados com a poeira do local.

“Às vezes dá vontade de sair. Perdi todo o meu investimento. Mas o lugar é bom, as pessoas gostam. Por enquanto, vamos ficar”, conta o proprietário Vanderlei Cruz. Agora, o plano é fazer reformas que ajudem a manter o local e prevenir contra estragos maiores. “Quero fazer mais janelas. Assim, se a água entrar, abrimos as janelas e a água passa livre e não faz força contra a parede. Na enchente de setembro isso aconteceu e a parede caiu”, lembra.

Mesmo que não esteja na Osvaldo Aranha, a danceteria Magic está entre as prejudicadas. Projetada para a cota de 28,7 metros, as duas enchentes atingiram o imóvel. Conforme o proprietário do prédio, Mauro José Barcellos Mallmann, o prejuízo estimado alcançou R$ 140 mil. As atividades do local continuam, mas será feita a substituição de materiais. “As coisas de madeira vamos trocar por materiais que podem molhar. Outros vão ser substituídos por objetos móveis. Vamos nos adaptar à nova realidade”, conta.

Apreensão com o futuro

A Comercial de Areia Lajeadense, na Bento Rosa, também planeja adaptações para manter o negócio nas margens do Taquari. A principal forma de transporte de areia é feita por barco e, por isso, o empreendimento sofre também com as condições do rio, como a dragagem precária. Apesar das adversidades, não há projeção de mudança de endereço.

“Já pegamos outras enchentes antes e estamos, de certa forma, acostumados com isso. Mas esse ano o estrago foi muito maior. O nosso terminar, local em que os barcos atracam, foi muito danificado. Nem contabilizamos os prejuízos para não se assustar”, conta o proprietário, Tiago Wiebbelling. Houve também estrago em maquinários, além da perda de uma caminhão e um carro.

O escritório da empresa, que tinha sido reformado há pouco tempo, receberá materiais novos que podem ser removidos com facilidades. Os pilares do terminal foram reforçados e aos poucos, o estoque de areia é refeito e o trabalho se forma para normalidade. “Nos últimos anos sofremos com as secas, que dificultaram a navegabilidade. Agora já não sabemos mais o que esperar desse verão”.

Acompanhe
nossas
redes sociais