Defesa Civil reestrutura processo e padroniza plano

Política e cidadania

Defesa Civil reestrutura processo e padroniza plano

Especialista em gestão de risco e tragédias presta consultoria. Em relatório prévio, aponta falhas na organização voltada ao socorro e amparo de famílias atingidas

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Defesa Civil reestrutura processo e padroniza plano
Diagnóstico aponta que entre as falhas nos municípios da região está a falta de regras nos abrigos. (Foto: Gabriel Santos)
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Uniformizar planos de contingência nas cidades, disseminar a cultura de prevenção na comunidade e qualificar o socorro em eventos climáticos extremos. Nestes pilares se sustenta a estratégia regional às defesas civis como lição fundamental após a tragédia de setembro.

Neste sentido, Lajeado estrutura um plano integrado para atuação conjunta dos órgãos de segurança do estado e dos municípios em áreas suscetíveis. Com a consultoria do especialista em gestão de risco, Paulo José Barbosa de Souza, líderes e autoridades dividem conhecimentos e estabelecem os próximos passos para estruturação regional.

Conforme o secretário de Segurança de Lajeado, Paulo Locatelli, o objetivo é mitigar as perdas humanas e materiais com as enchentes do Rio Taquari. O episódio de setembro, diz, evidenciou lacunas organizacionais, estruturais dos municípios e de comunicação.

“Toda atuação da Defesa Civil precisa ser feita com base em evidências e conhecimento. Pela característica do Vale, precisamos agir em conjunto”, frisa Locatelli. Essa integração regional, afirma, é uma prioridade. “A falta de planejamento pode comprometer a eficácia do atendimento.”

A inundação dos dias 4 e 5 de setembro resultou em 52 óbitos no Vale do Taquari. Ainda há cinco desaparecidos. Foram 943 feridos e 22 mil pessoas desalojadas, conforme apurado pela comissão parlamentar de acompanhamento dos impactos das enchentes, da Assembleia Legislativa.

Especialista em gestão de risco se reúne com autoridades regionais para formular plano de contingência. (Foto: Laura Mallmann)

Protocolos claros

O especialista em gestão de riscos e desastres, Paulo José Barbosa de Souza, tem experiência em grandes episódios. Esteve em equipes depois da tragédia de Brumadinho. É bombeiro em Brasília e atuou em repartições federais da Defesa Civil.

No episódio do Vale do Taquari, esteve nas cidades atingidas e auxiliou nos planos de gestão. Em cima disso, considera que houve três problemas graves: a falta de comunicação entre as agências de resposta enquanto o evento acontecia, problemas de acesso nas áreas mais prejudicadas e, a falta de organização dos abrigos voltados aos flagelados.

“Nossa missão é trazer uma expertise, do que é feito no mundo, para gerenciar crises. Em cima disso, identificamos a necessidade de qualificarmos o quadro pessoal destinado para esse serviço.”

A partir do projeto de construção de um centro regional de operações, é necessário criar protocolos para diferentes níveis. Esse movimento possibilita mais assertividade em termos de uso pessoal, de recursos e mais segurança à linha de frente.

Feita com base em cenários, o especialista explica que esse conhecimento prévio é direcionado em específico para o tipo de acontecimento. “Vamos dizer, a água chegou a uma escola. Destruiu tudo. O protocolo vai dizer quem são os responsáveis em atuar, de onde precisam vir os esforços da reconstrução. Não como foi a última. Depois que aconteceu é que se buscava como agir.”

Problema nos abrigos

A estrutura do atendimento voltado aos desabrigados chamou a atenção de Souza. “Esse é um assunto complexo. Não é só lá, levar as pessoas e deixá-las se virar. É preciso uma estrutura presente, pensada no específico e com regras claras.”

Por lei, o abrigo público emergencial precisa ser coordenado por um servidor com formação em assistência social. “No ambiente interno, os protocolos separam as famílias. Pessoas mais vulneráveis ficam em uma área específica, assim como aquelas com problemas de saúde. Há horário de entrada, horário de saída, também quando as luzes são desligadas.”

Caso as regras não sejam cumpridas, aumenta o risco de conflitos. “Vimos que os municípios registraram brigas entre internos. Teve agressões e furtos.”

Próximos passos

O diagnóstico sobre as lacunas do atendimento e a busca por estratégias mais certeiras. Nesta etapa, o centro integrado finaliza o levantamento de demandas. Em seguida, se cria o cronograma de atividade.

Neste processo, há visitas técnicas agendadas. Um dos locais será Blumenau. Uma comissão regional agenda a viagem para a próxima semana. O terceiro maior município de Santa Catarina fica no Vale do Itajaí, uma região com condições frequentes de enchentes, enxurradas e deslizamentos.

Medidas à região

  • Coordenação de esforços:
    Garantir a coordenação eficaz entre diferentes setores do governo envolvidos na assistência humanitária para haver mais clareza sobre de onde vem os esforços e recursos às operações.
  • Compartilhamento de Informações:
    Transparência sobre a situação humanitária, incluindo áreas afetadas, necessidades prioritárias, recursos disponíveis e capacidades existentes.
  • Plano de resposta:
    Padronização sobre o conjunto de necessidades imediatas e de longo prazo da população afetada.
  • Recursos:
    Discutir e acordar sobre o uso de verbas, mão de obra e recursos materiais para garantir uma resposta rápida e eficaz.
  • Papéis e responsabilidades:
    Deixar claro cada uma das instituições de atendimento para assegurar a distribuição equitativa de tarefas e evitar lacunas na prestação de ajuda.
  • Garantir segurança:
    Estabelecer formas de proteger equipes de resposta humanitária e infraestrutura crítica durante as operações.
  • Envolvimento da comunidade:
    Planejar estratégias para envolver a comunidade afetada no processo de tomada de decisão.
  • Avaliação contínua:
    No plano, garantir mecanismos de avaliação contínua da eficácia das intervenções.
  • Treinamentos e habilidades:
    Manter programas de qualificação para membros da comunidade e órgãos públicos, com treinamentos sobre práticas de segurança, gestão de recursos e desenvolvimento de habilidades para fortalecer a resiliência das comunidades.

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