Biluca: 80 anos de histórias e música em Estrela

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Biluca: 80 anos de histórias e música em Estrela

Músico tocou no RS e em outros estados, mas sempre preferiu a cidade natal. Família e amigos comemoram o legado e a carreira de mais de cinco décadas do artista

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Atualizado sexta-feira,
20 de Janeiro de 2023 às 22:51

Biluca: 80 anos de histórias e música em Estrela
Músico, que fez aniversário em 13 de janeiro, recebeu homenagem no Memorial de Estrela (Foto: Marcelo Grisa)
Estrela
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Emir de Oliveira Moraes não é um nome tão conhecido na cidade de Estrela. “Quando eu digo que sou o Biluca, aí sim o povo me reconhece”, afirma Emir, o “Biluca”, que completou 80 anos de vida no último dia 13 de janeiro. Neste ano, seu aniversário foi celebrado com homenagens da comunidade.

Biluca morou quase metade de sua vida em Porto Alegre, mas nunca deixou Estrela. Em 1962, foi à capital gaúcha para servir às Forças Armadas. Mesmo assim, sempre que possível, vinha ver a família e fazer sua música. Entre as décadas de 1960 e 1970, comandava a Banda Moderna do Biluca, um clássico das noites de kerb na cidade. Depois disso, ainda fez parte de diversos conjuntos, além de trabalhar com a composição de jingles para lojas e campanhas políticas.

Solidariedade

No sábado, 14, parentes, amigos, parceiros e autoridades se reuniram no Memorial de Estrela para homenagear o músico, que tem mais de 50 anos de dedicação à arte. Entre restaurantes, bailes de kerb e cabarés, Biluca pode dizer que se apresentou para gente de todo tipo na cidade. “Eu felizmente tenho o carinho das pessoas. Confesso que não sei como nem porque isso acontece, na verdade. Só faço o que sinto que é certo para mim”, relata.

A resposta pode estar em muitas ações feitas ao longo da vida por Biluca. Nos anos 1960 e 1970, por exemplo, Emir fazia muitas serenatas nessa época. Segundo ele, dava gosto em ver os casais mais próximos, ou ficarem próximos por conta do seu trabalho. “Eu perguntava se o cara tinha uma cerveja. Se não tivesse, eu mesmo trazia, para mim e para eles. Se tivesse uma espumante sobrando, trazia para o casal. O que importa é ver o resultado”, aponta.

Em uma outra ocasião, ao trabalhar na noite, ouviu falar de uma moça solteira que estava grávida e doente. Fez companhia a ela e pagou para que ela tivesse o necessário. O pai dela, após o nascimento da criança, queria que os dois casassem. “Ele era legal, iria nos dar carro, casa, uma propriedade com cabeças de gado. Mas eu acho que eu não nasci para ser rico. Eu precisava continuar na música”, recorda.

Foto: Marcelo Grisa

Música desde sempre

Biluca nasceu e cresceu ligado ao centro da cidade. Estudou na Escola Vidal de Negreiros, onde foi incentivado para a música desde cedo. A professora Ruth Schwertner percebeu o talento para o canto e, com 10 anos, já fez uma apresentação. A instituição era localizada onde hoje fica a Escola Estadual de Ensino Médio Estrela. “Me fizeram um bigode com carvão, me vestiram direitinho, para imitar os cantores da época”, ri.

A música cresceu com Biluca tanto quanto em sua família. Um de seus seis irmãos, Déo, tem esse nome devido a um famoso cantor dos anos 1940. A arte cantada ou tocada era uma constante na casa dos pais, Achylles e Doralina. “O pai tocava e cantava na noite, assim como um irmão dele. Se esse negócio de reencarnação existe, eu sou esse meu tio renascido. Todo mundo na família diz que sou igualzinho a ele”, afirma.

Emir ajudava a família sempre que podia. Trabalhava como entregador, engraxate, guia para os viajantes e o que mais aparecesse. Uma das irmãs de Biluca, Elóa Moraes diz que os pais ficavam preocupados com os filhos assumirem a música como profissão. “Naquela época todo pai ficava assim. Tinham medo de ele e o Déo se envolverem com algo que fosse errado. Queriam, como todo pai e mãe, que eles fossem gente decente. Mas foram bem”, fala.

Homenagem

Durante a homenagem no Memorial de Estrela, todos dividiram o que sabem sobre a carreira e a vida de Emir. O prefeito Elmar Schneider ressaltou, na ocasião, a importância de que os personagens da cultura e da história da cidade recebam honrarias em vida. “Esse negócio de botar nome de rua, tudo depois que a pessoa morreu, não é o ideal. Já passou o tempo. Precisamos dar valor a essas pessoas hoje, porque amanhã, não sabemos se elas poderão ouvir o nosso amor, o nosso agradecimento”, admitiu.

No sábado, 14, no Memorial de Estrela, ocorreu uma homenagem a Biluca (Foto: Marcelo Grisa)

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