Comitiva indígena do Acre inaugura espaço espiritual no Vale

SHUHU

Comitiva indígena do Acre inaugura espaço espiritual no Vale

Organizado pelo Instituto Criah Lajeado, Aldeia Manuí e Mulheres de Gaya, evento segue até este sábado

Comitiva indígena do Acre inaugura espaço espiritual no Vale
Ontem, comitiva participou do Sacada Cultural, na Casa de Cultura de Lajeado. Crédito: Júlia Amaral
Forquetinha

Uma comitiva da Terra indígena de Rio Gregório, do coração da Floresta Amazônica, está no Vale até o final de semana. Neste período, eles participam de cerimônias na Aldeia Manuí, casa de reza e preservação ambiental, em Forquetinha. A atividade inicia nesta quinta-feira, 22, às 19h.

A Aldeia Manui já recebeu celebrações antes, mas essa é a primeira vez que recebe um grupo de povos originários. Conforme uma das organizadoras do encontro, Carolina Leipnitz, agora, será inaugurado o Shuhu, casa de Rezo Tradicional Indígena.  “Isso dos indígenas saírem em comitiva para realização de trabalhos de cunho espiritual é uma prática bem comum. Então, eles tinham a necessidade de sair e nós a vontade de receber”, explica Carolina, que é uma das organizadoras do encontro.

Mas o vínculo com os Yawanawa é antigo. Neste ano, ela foi até o Acre e conheceu a tribo, acompanhada da sacerdotisa Carol Numashahu, que visita o local desde 2018. “É muito bonito poder estar compartilhando essa força que já nos âncora aqui e trazer essa força para a inauguração do Shuhu”, afirma Carolina.

Três atividades fazem parte da passagem da comitiva pelo Vale do Taquari. O primeiro deles, na sexta, é a roda de Saberes Ancestrais com Cantos Tradicionais Yawanawa, Rapè, defumação e histórias da floresta. O Rapè, ou rumē como tradicionalmente é nomeado pelos povos Yawanawa, é uma prática milenar utilizada pelos indígenas para trazer equilíbrio físico e espiritual. Durante o evento, o uso de Rapè não é obrigatório.

Já no sábado, 24, ocorre a Cerimônia Tradicional Yawanawa, com as medicinas da floresta: Uni (Ayuascha), Rumē (Rapè), Sepa (Defumação) e Sananga.

O canto dos indígenas

Carolina explica que, durante cada atividade, o canto é bastante explorado. Isso porque, dentro das tradições indígenas, a prática é muito forte. “Antes do contato com o homem branco, os índios tinham somente a voz”, lembra.

Na quarta-feira, 21, um pouco deste canto foi compartilhado com a comunidade lajeadense. Yawanawa, Hukê Nete, Panã, Sana, Yawa Tuxi e Waxyzinha participaram da Sacada Cultural, na Casa de Cultura de Lajeado.

Povo Yawanawa

Localizado no coração da Floresta Amazônica, o Centro Mawa Yuxyn é liderado por Waxy Yawanawa juntamente com a sua família. Mawa Yuxyn, a Montanha dos Espíritos, é um santuário sagrado na floresta, às margens da Terra indígena Yawanawa no Rio Gregório. É um local direcionado para estudo e aprofundamento da espiritualidade ancestral e imemorial Yawanawa.

Aldeia Manuí fica em Forquetinha e inaugura nesta semana o Shuhu. Crédito: Divulgação

Programação

Hoje

19h – Inauguração do Shuhu da Aldeia Manui – Celebração do Equinócio de Primavera – Cantos Sagrados e Reza de abertura

Amanhã

19h – Roda de Saberes Ancestrais com Cantos Tradicionais Yawanawa, Rapè, defumação e histórias da floresta

Sábado e Domingo

Das 10h às 17h – Feitio de Rapé

Pintura Corporal

Sábado
21h – Cerimônia Tradicional Yawanawa, com as medicinas da floresta: Uni (Ayuascha), Rumē (Rapè), Sepa (Defumação) e Sananga.

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