O “risco” de  viver 120 anos

Opinião

Adair Weiss

Adair Weiss

Diretor Executivo do Grupo A Hora

Coluna com visão empreendedora, de posicionamento e questionadora sobre as esferas públicas e privadas.

O “risco” de viver 120 anos

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Reportagem do jornal A Hora de ontem mostra que o número de pessoas com 60 anos ou mais aumentou quase quatro vezes em relação há 50 anos.

Houve uma inversão nas últimas décadas. Os idosos superam os jovens no Brasil. No Vale do Taquari é ainda maior a diferença. Em municípios como Coqueiro Baixo, Travesseiro e várias outras cidades, os idosos são mais de 40%. São índices europeus.

A expectativa de vida do brasileiro, hoje, passa dos 75 anos. Há 40 anos era de 62. Em 1945 chegava em 45 anos. O ciclo virtuoso só foi interrompido em 2020, quando a pandemia deu um baque de 1,78 anos na média recorde, que até 2019 alcançara 76,6 anos.

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O Censo 2010 apurou que existiam 23.760 brasileiros com mais de 100 anos. A ONU projeta 1,5 milhão de idosos com mais de 100 anos no Brasil até 2100. Este dado só não se confirmará a pleno, se novas pandemias surgirem.

Mesmo estudo das Nações Unidas sugere que haverá 25 milhões de centenários em todo o mundo daqui a 80 anos.

Entretanto, envelhecer custa caro. Exige planejamento para custear uma velhice saudável. Alimentação, despesas médicas, cuidados especiais, higiene e moradia por tanto tempo.

Caro será também ao Estado, pois com a previdência social em crise e o sistema público ameaçado pela queda da taxa de natalidade, o cenário será insustentável.

Então, por que as pessoas querem viver tanto? Talvez a pergunta devesse mudar: como se tornar um centenário com qualidade de vida?

Pessoalmente, estou pronto para morrer amanhã. Mas, se o destino me permitir pretendo chegar aos 120 anos com saúde e disposição. Têm exemplos e todos seguem a mesma “fórmula”: cuidam do corpo e da mente. Isso implica em muita coisa, nada fácil. É preciso ser determinado para envelhecer com qualidade.

Prevenir antes do que remediar. Frase antiga, mas sempre atual. Nutrição, atividade física e evitar estresse; além disso é necessário economizar e garantir uma renda para o futuro. Sem esquecer dos exames preventivos.

O brasileiro tem o hábito de depender do governo, tanto em aposentadoria quando em remédios. Na nossa região é ainda pior, pois as prefeituras viraram verdadeiras assistências sociais. Não será sempre assim. Vai colapsar.

Previdência privada, economizar enquanto dá, cuidar da saúde e controlar o estresse são os melhores ativos para quem quer viver bem por muito tempo.

O problema mora na percepção tardia da elevada expectativa de vida. Muitos se dão conta da velhice, quando já não têm como se preparar psicológica e financeiramente. Eis o desafio da era moderna. Perceber e prevenir antes.

Boa quarta-feira a todos!


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