Saudade, devoção e despedida

dia dos finados

Saudade, devoção e despedida

Em tempos de pandemia, o Dia de Finados possibilita aos amigos e familiares de vítimas concluírem rituais fúnebres e enfrentarem o luto por meio da fé

Por

Saudade, devoção e despedida
Artigos típicos das celebrações de Finados sofrem alta de preço com a escassez de insumos na indústria. Algumas flores estão até 60% mais caras (Foto: Felipe Neitzke)
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

A expectativa é de maior movimento nos cemitérios da região nesta terça-feira, 2, diante da flexibilização de protocolos sanitários. Além das tradicionais celebrações de Finados, tornou-se momento de homenagem aos que partiram sem despedida.

A pandemia alterou os ritos fúnebres e a forma de vivenciar o luto. As perdas abruptas impactam familiares e amigos das vítimas da covid-19, que buscam através da fé o consolo e conforto para seguir a vida.

Conforme o pastor Luis Henrique Sievers, muitos não puderam se despedir adequadamente de seus entes queridos. As celebrações de Finados proporcionam momentos de recordação e expressam todo o amor e carinho por elas.

“A mensagem cristã é de esperança e ressurreição à vida eterna. A morte não é a última palavra. Deus promove a vida e após a morte estamos em boas mãos”, reforça Sievers, que também é o vice-presidente sinodal da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, no Vale do Taquari.

As celebrações seguem os protocolos de prevenção e em algumas comunidades marcam a retomada das atividades com público. De acordo com o padre da diocese de Santa Cruz do Sul, Roque Hammes, no ano passado, o período crítico da pandemia restringiu celebrações. As paróquias vão seguir as determinações de cada município.

Bênção em Estrela

Na Paróquia Santo Antônio, de Estrela, a missa nos cemitérios da Matriz e Glória será às 9h. Em Arroio do Ouro e Delfina às 16h. Conforme o padre Neimar Schuster, o Dia de Finados em especial traz a memória dos entes falecidos, como professado no credo católico.

“Faz sentir a união de quem já partiu e força ao destino de quem está peregrinando. Assim, possa chegar ao destino de Cristo na fé. Quem ama, vive eternamente”, cita o pároco. A Paróquia São Cristóvão também tem missa com benção nos cemitérios. As celebrações iniciam às 8h30min, na Matriz; às 9h, na Linha São José; às 10h, em Linha Lenz; e às 16h30min, em São Vito, Novo Paraíso.

Celebrações em Lajeado

Os luteranos prestam suas homenagens nesta terça-feira, 2, às 9h, no cemitério da IECLB do bairro Florestal, em Lajeado. Durante o culto, são citados todos os falecimentos do último ano, fiéis ligados à igreja evangélica.

No cemitério católico a benção será às 9h30min, após missa. A programação é da Paróquia Santo Inácio de Loyola. As demais paróquias da igreja católica também prestam homenagens no dia. Ainda nesta terça-feira, tem a missa às 18h15min, na Matriz.

Flores mais caras

A falta de insumos na indústria elevou o preço de itens típicos no Finados. A venda de flores e velas pode até ser menor comparado ao ano passado por conta da elevação de preços ao consumidor. Cesar e Sabrina Lucca montaram estrutura próxima aos cemitérios do bairro Florestal, em Lajeado, para aproveitar a ampla procura nesta época do ano.

A margem está menor e as vendas ainda não atingiram o mesmo desempenho de 2020. “Tem algumas variedades de flores que aumentaram mais de 60%. O arranjo que era vendido a R$ 18 agora sai por R$ 30”, explica Lucca.

A maior expectativa é comercialização de última hora. As celebrações desta terça-feira devem contribuir na circulação de pessoas pelo local. “O preço das velas também aumentou de forma considerável. O preço subiu de R$ 4 para R$ 6,50”, informa o vendedor.

A dor da perda

O casal Ireny e Inelda Mocellin, de Cruzeiro do Sul, zela pela sepultura dos familiares no Cemitério Católico de Lajeado. Faz trinta anos que o pai de Inelda morreu e além do Dia de Finados, em outras datas fazem a limpeza da sepultura, trocam as flores e deixam tudo organizado.

“É uma forma de nos sentirmos mais perto de quem já não está mais entre nós. Apesar da dor da perda, temos de saber superar e conviver com as realidades”, conta ela. O casal também perdeu um filho minutos após seu nascimento.

“Essa é uma etapa da qual precisamos de todo apoio possível. Este ano, percebo também o quanto a pandemia nos faz refletir sobre a vida, valorizar cada momento é fundamental”, cita Mocellin.

Acompanhe
nossas
redes sociais