Falta de contêineres prejudica exportações

ECONOMIA

Falta de contêineres prejudica exportações

Preço para transporte marítimo ficou quase quatro vezes mais caro de maio até outubro. Segmento de aves e suínos é o que encontra mais dificuldade

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Falta de contêineres prejudica exportações
(Foto: Rodrigo de Aguiar - Divulgação)
Vale do Taquari

O que seria uma oportunidade, para aumentar o faturamento das empresas com negócios no exterior, se torna mais difícil e caro. Tudo por conta dos custos logísticos para o transporte marítimo, em especial no aluguel de contêineres.

As indústrias de carne de frango e suíno são as mais impactadas, pois precisam de um aparato de depósito com refrigeração, tipo de contêiner com mais falta no mercado.

A dificuldade começou em maio, diz a assessora de comércio exterior de uma empresa de Lajeado, Bruna Scherer. De acordo com ela, frigoríficos de todo o Brasil enfrentam essa situação.

“Para usar um contêiner e fazer o transporte para a Ásia ou para o Oriente Médio, se pagava 3 mil dólares. Neste mês, fizemos solicitações, e o custo passou a 10 mil dólares”, diz Bruna.

Segundo ela, para muitas empresas a exportação é inviabilizada. “Quem mais sofre são as indústrias de médio e pequeno porte, pois os armadores priorizam os grandes contratos”, conta Bruna.

Além disso, o prazo para embarque das cargas também aumentou. O máximo nos primeiros meses do ano era sete dias. Agora passa de duas semanas. A situação traz dificuldade para o cumprimento de prazos de entrega. Neste ano, conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), 40% das cargas de suínos e de frangos ficaram estocadas no Brasil, à espera de transporte marítimo.

A entidade acredita que a aprovação de projeto que tramita no Congresso Nacional para incentivar a navegação entre portos brasileiros possa reduzir o problema. O texto tramita desde o ano passado e serviria como uma maneira de buscar contêiner onde há disponibilidade e levar para outros pontos de embarque.

Catalisadores da crise

Entre os motivos para essa dificuldade está o encalhamento de uma embarcação no Egito, no canal de Suez. O fato ocorreu em maio. Foram seis dias de fila. “Ainda estamos colhendo os frutos disso”, frisa Bruna. O incidente provocou congestionamentos das rotas marítimas e engarrafamento de cargas em todo o mundo.

Em 2020, navegaram pelo canal 19 mil embarcações, o que representa uma média de 50 navios por dia. Isso significa que 14% do comércio mundial passa pelos cerca de 190 quilômetros de Suez.

Junto com isso, também há um movimento global, das grandes economias, de aumento da demanda nos portos exportadores, como Ásia, Estados Unidos e Europa. No auge da pandemia, houve queda no comércio entre essas nações.

A queda de intensidade foi positiva para indústrias do país e, consequentemente do Vale. No entanto, o momento de retomada econômica global, faz com que haja mais concorrência.

Transporte de Norte a Norte

Frente ao cenário de dificuldade, as empresas de logística marítima optam por rotas mais rápidas, o que garante mais lucro, avalia a economista Fernanda Sindelar. “Estão fazendo mais o transporte que chamam de Norte a Norte. Onde estão os países mais desenvolvidos.”

Além de mais custos para empresas locais, há menos oferta de rotas. “Estamos perdendo muito com isso tudo. Além de não conseguir embarcar, há ainda o risco de não conseguir entregar os produtos. Pode ser que compradores inclusive desistam das cargas.”

Em julho, pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que entre 128 empresas e associações industriais, mais de 70% relataram sofrer com a falta de contêineres ou navios e mais da metade passou por cancelamento ou suspensão de viagens programadas.

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