Posto do Santo André volta a ter médico

Lajeado

Posto do Santo André volta a ter médico

Clínico foi afastado do atendimento no bairro São Bento após suspeita de assédio

Posto do Santo André volta a ter médico

As consultas médicas na Estratégia da Saúde da Família (ESF) do bairro Santo André tiveram o atendimento normalizado na ontem à tarde. A unidade estava sem um clínico-geral há quase um mês. A Secretaria de Saúde (Sesa) transferiu um profissional cubano afastado do bairro São Bento após suspeita de assédio relatada à Ouvidoria.

O caso ganhou repercussão em fevereiro. Integrante do Programa Mais Médicos, ele atuava no posto de São Bento desde 2014. A decisão de afastá-lo partiu do secretário Glademir Schwingel e foi comunicada ao Ministério da Saúde. Informações sobre o caso e a defesa montada pelo médico também foram repassadas ao órgão federal.

Sem ocorrência policial sobre o suposto assédio, nem desdobramentos do Ministério, Schwingel preferiu reintegrar o médico após o período de férias. Ele voltou para o município no dia 27 de abril. No início desta semana, o clínico esteve na unidade do Santo André para conhecer equipe e rotina de trabalho. Ontem, ocorreram os primeiros atendimentos.

De acordo com o secretário, o afastamento temporário do cubano foi uma alternativa para evitar prejuízos ao profissional e à comunidade do bairro. Assim como outros integrantes do programa, ele recebe uma bolsa auxílio de R$ 2,8 mil para custeio de aluguel e alimentação.

“Temos um posto sem médico e um profissional sem ter sido ouvido oficialmente ou julgado. Tecnicamente, sempre foi um bom profissional e nunca pediu para sair de São Bento. Se houver provas mais concretas sobre a suspeita de assédio, podemos reavaliar a posição.”

Demanda por médicos

Segundo o secretário, a dificuldade de profissionais da saúde não fica restrita ao bairro Santo André. Pelo aumento da demanda, Jardim do Cedro, Conventos, Centro e Olarias teriam necessidade de ampliação de equipes. O quadro ocasiona mais procura na UPA. Na semana passada, foram cerca de 309 atendimentos só na segunda-feira. A média diária do local é de 230.

A situação se agravou com a saída de três integrantes do Mais Médicos. Profissionais do Moinhos, Olarias e do próprio Santo André precisaram deixar de atuar por descumprimento das normas do programa. No caso deles, o impedimento ocorreu por não terem concluído a especialização necessária.

A tendência é de uma reposição, em maio, pelo Ministério da Saúde. Com profissionais do Mais Médicos, ressalta, o município passou de nove unidades de ESF para 14. Schwingel ressalta a economia gerada com o programa e a qualidade do serviço prestado. Com a saída de todos os profissionais, em um ano, estima que seria necessário o investimento de R$ 2,5 milhão, com salários e benefícios trabalhistas.

“Vamos ver como ele vai trabalhar”

Para o presidente da Associação de Moradores do Bairro Santo André, Jair Kern, a reposição do cargo de médico tem mais importância para a comunidade do que a situação envolvendo o profissional.

De acordo com ele, as dificuldades para atendimentos e consultas iniciaram há mais de um mês, considerando o período de férias da equipe. “Não sei o motivo de não quererem ele lá, vamos ver como vai trabalhar aqui no bairro primeiro.”

Em cerca de uma semana, Kern contabilizou mais de 50 pedidos de informações de moradores do bairro sobre a falta de médico. Uma mobilização chegou a ser cogitada pela comunidade, mas acabou cancelada.

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